“Oração do Milho Sou a planta humilde dos quintais pequenos e das lavouras pobres. Meu grão, perdido por acaso, nasce e cresce na terra descuidada. Ponho folhas e haste e se me ajudares Senhor, mesmo planta de acaso, solitária, dou espigas e devolvo em muitos grãos, o grão perdido inicial, salvo por milagre, que a terra fecundou. Sou a planta primária da lavoura. Não me pertence a hierarquia tradicional do trigo. E de mim, não se faz o pão alvo, universal. O Justo não me consagrou Pão da Vida, nem lugar me foi dado nos altares. Sou apenas o alimento forte e substancial dos que trabalham a terra, onde não vinga o trigo nobre. Sou de origem obscura e de ascendência pobre. Alimento de rústicos e animais do jugo. Fui o angú pesado e constante do escravo na exaustão do eito. Sou a broa grosseira e modesta do pequeno sitiante. Sou a farinha econômica do proletário. Sou a polenta do imigrante e a miga dos que começam a vida em terra estranha. Sou apenas a fartura generosa e despreocupada dos paiois. Sou o cocho abastecido donde rumina o gado Sou o canto festivo dos galos na glória do dia que amanhece. Sou o carcarejo alegre das poedeiras à volta dos seus ninhos. Sou a pobreza vegetal, agradecida a Vós, Senhor, que me fizeste necessária e humilde Sou o milho.”
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Nota: Poema inédito publicado na "Folha de S.Paulo" em 4 de julho de 2001.
“O saber se aprende com os mestres. A sabedoria, só com o corriqueiro da vida.”
Nota: Trecho do poema "Mãe"
Nota: Trecho do poema O poeta e a poesia.
“Recria tua vida, sempre, sempre. Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.”
“Não morre aquele que deixou na terra a melodia de seu cântico na música de seus versos.”
Nota: Trecho do poema Exaltação de Aninha (O Professor).
“Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.”