Frases e Palavras de Impacto de Fernando Aramburu

21 frases cadastradas

“⁠Posso jurar que comecei a gostar mais da vida desde que sei que tenho nas mãos a alavanca para finalizá-la. Por essa razão, os momentos triviais acabaram para mim. Qualquer coisa que eu faça hoje tem um ar estimulante de despedida. De repente, tudo faz sentido (sim, Patamanca; sim, Camus), pois tudo acontece em relação a um ponto exato de referência. Agora, sim, agora é que acho realmente que a vida (os sete meses que me restam) merece ser vivida. A certeza do suicídio a torna apetecível, talvez porque, depois de experimentar o doce sabor da aceitação e da serenidade, eu me sinta liberto do que chamam do sentimento trágico da existência. Não tenho mais amarras. Nem as ideias, nem as coisas me prendem. O mundo seria, não sei se mais bonito, mas com certeza mais pacífico se todos soubessem desde a infância a hora exata da sua última inspiração de oxigênio.”

Autor: Fernando Aramburu
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“Joxe Mari se deixou guiar. Recebeu ternura, carícias, palavras amorosas sussurradas no ouvido, e gostou. Esse foi o problema. De noite, sem conseguir dormir, entendeu de repente, e foi como se o teto da cela tivesse caído em cima dele, que estava perdendo o melhor da sua vida. Não é que não tivesse pensado nisso antes. É que então teve pela primeira vez a sensação física de que havia jogado fora sua juventude. (...) Tempos depois, Aintzane parou de escrever. Bem, deve ter encontrado outro. São coisas que acontecem. Só que na cadeia elas doem mais.”

Autor: Fernando Aramburu
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“– Você é um cara legal, sempre foi, putaquepariu. Gorka já estava saindo quando se lembrou do recado de Josune. – Se você não tem nada para dizer a ela. Nesse momento Joxe Mari já estava dando as primeiras pedaladas. – Diz a ela pra seguir com a vida. E os dois amigos foram embora, e Gorka, dezesseis anos na época, os viu avançar nas bicicletas em direção à estrada, Joxe Mari com o casaco de lã que lhe pedira emprestado, o outro com os seus sapatos. Gorka teve uma sensação repentina de mau agouro.”

Autor: Fernando Aramburu
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“⁠Os andorinhões só vão voltar na próxima primavera. Eles me deixaram sozinho com todo esse monte de humanos que me oprime e me exaspera. Li que os andorinhões emigram para além do Saara, chegam até a altura de Uganda, por aí, e que passam a maior parte da vida no ar. Exatamente o que eu queria: não tocar no chão, não tocar em ninguém. Se eu pudesse ter optado entre nascer homem ou andorinhão, depois de ter visto tudo que vi, escolheria a segunda alternativa. (...) Que bela filosofia existencial: sair de um ovo, cruzar os ares em busca de alimento, olhar o mundo de cima sem ser atormentado por questões existenciais, não ter que falar com ninguém, não pagar impostos nem contas de luz, não se achar o rei da criação, não inventar conceitos pretensiosos como eternidade, justiça e honra e morrer quando chegar a hora, sem assistência médica nem honras fúnebres.”

Autor: Fernando Aramburu
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“Como as mulheres sabem nos manipular. Deitado na cama, com a mente em branco, Joxe Mari olhava o quadrado de céu azul da janela. Ficou um bom tempo ali imóvel, em atitude apática, com as mãos enlaçadas atrás da nuca. Por fim lhe vieram pensamentos. Ou melhor, imagens. O tempo, de repente, retrocedeu a grande velocidade. O tempo era um filme que mostrava a sua vida de trás para a frente. Saiu logo da cadeia e entrou em outra e depois em outra, foi torturado, depois preso, voltou à luta armada, à tarde chuvosa em que Txato olhou nos seus olhos, ao pub onde atirou pela primeira vez em um homem, à França, à vila e, chegando aos dezenove anos, as velozes imagens mentais pararam de repente. Imaginou então um destino diferente, que culminava com a realização do seu grande sonho: jogar no time de handebol do Barcelona F.C.”

Autor: Fernando Aramburu
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