“seja o que for, era melhor não ter nascido, porque, de tão interessante que é a todos os momentos, a vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger, a dar vontade de dar gritos, de dar pulos, de ficar no chão, de sair para fora de todas as casas, de todas as lógicas e de todas as sacadas, e ir ser selvagem para a morte entre árvores e esquecimentos, entre tombos, e perigos e ausência de amanhãs, e tudo isto devia ser qualquer outra coisa mais parecida com o que eu penso, com o que eu penso ou sinto, que eu nem sei qual é, ó vida. cruzo os braços sobre a mesa, ponho a cabeça sobre os braços, é preciso querer chorar, mas não sei ir buscar as lágrimas... por mais que me esforce por ter uma grande pena de mim, não choro, tenho a alma rachada sob o indicador curvo que lhe toca... que há-de ser de mim? que há-de ser de mim?”
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Nota: Trecho do poema "Tabacaria"
Nota: Trecho do poema "Là-bas, Je Ne Sais Où...", de Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa.
“Nunca voltarei. Nunca voltarei porque nunca se volta. O lugar a que se volta é sempre outro.”
Nota: Trecho do poema "Tabacaria" de Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa.
“A arte é, como toda a actividade, um indício de força e energia.”