“Eu sentei e chorei. Conta a lenda que tudo o que cai nas águas desse rio - as folhas, os insetos, as penas das aves - se transforma nas pedras do seu leito. Ah, quem dera eu pudesse arrancar o coração do meu peito e atira-lo na correnteza, e então não haveria mais dor, nem saudade, nem lembranças. Na margem do rio Piedra eu sentei e chorei. O frio do inverno fez com que eu sentisse as lágrimas no rosto, e elas se misturaram com as águas geladas que correm diante de mim. Em algum lugar esse rio se junta com outro, depois com outro, até que - distante dos meus olhos e do meu coração - todas essas águas se confundem com o mar. Que as minhas lágrimas corram assim para bem longe, para meu amor nunca saber que um dia chorei por ele. Que minhas lágrimas corram para bem longe, e então eu esquecerei o rio Piedra, o mosteiro, a igreja nos Pirineus, a bruma, os caminhos que percorremos juntos. Eu esquecerei as estradas, as montanhas, e os campos de meus sonhos - sonhos que eram meus e que eu não conhecia.”
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Nota: Trecho do livro "Manual do Guerreiro da Luz".
Nota: Adaptação de um pensamento atribuído a Albert Einstein.
Nota: Trecho do texto "Recriando o Passado", publicado em 09/10/2009 na coluna de Paulo Coelho, no site Globo.com