Se ao menos a morte tivesse revistas... Ela morria tantas vezes em tiroteios à porta de casa que já não sabia morrer para sempre assim de uma vez só. Se ao menos se marcasse um dia para a morte, uma hora certa como no dentista que apesar de tudo nos faz esperar onde apesar de tudo não sabemos quando será a nossa vez. Se ao menos a morte tivesse revistas e gente na sala de espera não estaríamos tão sós tão vivos nessa ideia final nesse desconforto. Poríamos o nome na lista quando estivéssemos prontos sabendo que seria fácil desmarcar marcar para outro dia ou simplesmente não comparecer. Depois, ficaríamos com a dor, com o terror de passar sequer naquela rua como ela à porta de casa. Ela que morria tantas vezes porque morria de medo de morrer.