Não temos uma arma apontada à cabeça, dizias-me. Mas era impossível que não visses, impossível. Eu ao teu lado com aquela dor no pescoço, imóvel, cuidadosa, o cano frio na minha testa, a vida a estoirar-me a qualquer momento. Era impossível que não visses o revólver que levava sempre comigo. Por isso dormia virada para o outro lado, não era por me dar mais jeito aquele lado, era por me dar mais jeito não morrer quando nos víamos, era para dormir contigo só mais esta vez, sempre só mais esta vez, sempre com o meu amor a virar-se de costas, sempre com o teu amor apontado à cabeça.