Mais frases de Linda Almeida!

Mateus, MT, 19:12, <J>Porque há eunucos de nascença; há outros a quem os homens fizeram tais; e há outros que se fizeram eunucos, por causa do Reino dos Céus. Quem é apto para aceitar isto, que aceite.</J>

Por Mateus, Novo Testamento

Mateus, MT, 25:25, <J>fiquei com medo e escondi o seu talento na terra; aqui está o que é seu.`</J>

Por Mateus, Novo Testamento

Mateus, MT, 5:37, <J>Que a palavra de vocês seja: Sim, sim; não, não. O que passar disto vem do Maligno.</J>

Por Mateus, Novo Testamento

⁠A VIDA ESCREVE O fado meu contente, que a vida escreve Vivendo de amor, um desejo tão ingente Vive em uma poética, e tão eternamente Canta cá no soneto, tão puro e tão leve Se lá no assento do coração, tudo breve Não tem aquele olhar e, se não consente Sente não poetar o que não será ardente Sim, desencontros, triste sina prescreve E se vires que dele podes então merecer Não verseje a coisa duma dor que ficou Viva o momento, assim, verseje pra ser Rogue ao fado, pela sede que acreditou Traga pra ti a poesia no melhor querer O amor, a sensação do que não acabou. © Luciano Spagnol – poeta do cerrado 20 de agosto de 2021, Araguari, MG

Por Poeta do cerrado LUCIANO SPAGNOL

Como a vida muda. Como a vida é muda. Como a vida é nula. Como a vida é nada. Como a vida é tudo. Tudo que se perde mesmo sem ter ganho. Como a vida é senha de outra vida nova que envelhece antes de romper o novo. Como a vida é outra sempre outra, outra não a que é vivida. Como a vida é vida ainda quando morte esculpida em vida. Como a vida é forte em suas algemas. Como dói a vida quando tira a veste de prata celeste. Como a vida é isto misturado àquilo. Como a vida é bela sendo uma pantera de garra quebrada. Como a vida é louca estúpida, mouca e no entanto chama a torrar-se em chama. Como a vida chora de saber que é vida e nunca nunca nunca leva a sério o homem, esse lobisomem. Como a vida ri a cada manhã de seu próprio absurdo e a cada momento dá de novo a todos uma prenda estranha. Como a vida joga de paz e de guerra povoando a terra de leis e fantasmas. Como a vida toca seu gasto realejo fazendo da valsa um puro Vivaldi. Como a vida vale mais que a própria vida sempre renascida em flor e formiga em seixo rolado peito desolado coração amante. E como se salva a uma só palavra escrita no sangue desde o nascimento: amor, vidamor!

Por Carlos Drummond de Andrade

Não dá para acreditar Que encontrei alguém como ela Uma garota que mudou minha vida De todos os jeitos que podia saber Ela de repente se virou para mim E me deixou triste, sem querer Porque seus olhos eram tristes Eu não sei o que ela soube Mas eu estou feliz de não ser o cara Que deixou ela tão mal.

Por Babi Dewet

Não: devagar. Devagar, porque não sei Onde quero ir. Há entre mim e os meus passos Uma divergência instintiva. Há entre quem sou e estou Uma diferença de verbo Que corresponde à realidade. Devagar... Sim, devagar... Quero pensar no que quer dizer Este devagar... Talvez o mundo exterior tenha pressa demais. Talvez a alma vulgar queira chegar mais cedo. Talvez a impressão dos momentos seja muito próxima... Talvez isso tudo... Mas o que me preocupa é esta palavra devagar... O que é que tem que ser devagar? Se calhar é o universo... A verdade manda Deus que se diga. Mas ouviu alguém isso a Deus?

Por Álvaro de Campos

Como as mulheres sabem nos manipular. Deitado na cama, com a mente em branco, Joxe Mari olhava o quadrado de céu azul da janela. Ficou um bom tempo ali imóvel, em atitude apática, com as mãos enlaçadas atrás da nuca. Por fim lhe vieram pensamentos. Ou melhor, imagens. O tempo, de repente, retrocedeu a grande velocidade. O tempo era um filme que mostrava a sua vida de trás para a frente. Saiu logo da cadeia e entrou em outra e depois em outra, foi torturado, depois preso, voltou à luta armada, à tarde chuvosa em que Txato olhou nos seus olhos, ao pub onde atirou pela primeira vez em um homem, à França, à vila e, chegando aos dezenove anos, as velozes imagens mentais pararam de repente. Imaginou então um destino diferente, que culminava com a realização do seu grande sonho: jogar no time de handebol do Barcelona F.C.

Por Fernando Aramburu

Joxe Mari se deixou guiar. Recebeu ternura, carícias, palavras amorosas sussurradas no ouvido, e gostou. Esse foi o problema. De noite, sem conseguir dormir, entendeu de repente, e foi como se o teto da cela tivesse caído em cima dele, que estava perdendo o melhor da sua vida. Não é que não tivesse pensado nisso antes. É que então teve pela primeira vez a sensação física de que havia jogado fora sua juventude. (...) Tempos depois, Aintzane parou de escrever. Bem, deve ter encontrado outro. São coisas que acontecem. Só que na cadeia elas doem mais.

Por Fernando Aramburu

– Você é um cara legal, sempre foi, putaquepariu. Gorka já estava saindo quando se lembrou do recado de Josune. – Se você não tem nada para dizer a ela. Nesse momento Joxe Mari já estava dando as primeiras pedaladas. – Diz a ela pra seguir com a vida. E os dois amigos foram embora, e Gorka, dezesseis anos na época, os viu avançar nas bicicletas em direção à estrada, Joxe Mari com o casaco de lã que lhe pedira emprestado, o outro com os seus sapatos. Gorka teve uma sensação repentina de mau agouro.

Por Fernando Aramburu