Mais frases de Ana Luísa Amaral!

Dona de quê Se na paisagem onde se projectam Pequenas asas deslumbrantes folhas Nem eu me projectei Se os versos apressados Me nascem sempre urgentes: Trabalhos de permeio refeições Doendo a consciência inusitada Dona de mim nem sou Se sintaxes trocadas O mais das vezes nem minha intenção Se sentidos diversos ocultados Nem do oculto nascem (poética do Hades quem me dera!) Dona de nada senhora nem De mim: imitações de medo Os meus infernos

Por Ana Luísa Amaral

Só mal tocando as cordas Da memória Consegue o coração ressuscitar

Por Ana Luísa Amaral

Preparem minha filha para a vida Se eu morrer de avião E ficar despegada do meu corpo E for átomo livre lá no céu Que se lembre de mim A minha filha E mais tarde que diga à sua filha Que eu voei lá no céu E fui contentamento deslumbrado Ao ver na sua casa as contas de somar erradas E as batatas no saco esquecidas E íntegras.

Por Ana Luísa Amaral

Tanto tempo a pensar divino esforço que adormecendo deus sonhou consigo: Sonhou braços e pernas e cabeças, sonhou paisagens de mental pudor conversas calmas com o quase feito E esforçado ficou e exausto se quedou ao ver-se assim traído pela obra criada Só em sonho

Por Ana Luísa Amaral

Usamos todos a ilusão de fabricar a vida: história, constelações de sons e gestos Usamos todos a suprema glória do amor: por generosidade ou fantasia, ou nada, que de nada se fazem universos

Por Ana Luísa Amaral