Mais frases de Annita Costa Malufe!

o fundo verde do quadro toma a parede eram dias como este eram dias de fazer listas aguardar o soterramento das figuras o fundo verde do quadro tomando a parede

Por Annita Costa Malufe

Já estamos todos muito velhos As conquistas de outros tempos se acumulam Nos caixotes de papelão e isopor Nas malas que moram na parte de cima do armário Vasculho papéis que perderam sua função Fotos documentos recortes Rostos amarelecidos em uma existência remota Uma quase não-existência familiar E temporal – palavras fatos já não-meus, penso (é preciso alçar a indiferença) “que importa quem fala, alguém disse...” É preciso rasgar Estancar o sangue Tentativa de habitar algum presente em meio ao bolor

Por Annita Costa Malufe

desisto de te amar por uns instantes olho a madrugada que colore de cinza as estradas da minha cabeça temos poucos anos e uma bagagem densa

Por Annita Costa Malufe

onde termina o poema onde um ponto de suspensão apenas o poema não termina quando a linha roça a beira do papel tampouco a língua roça aquilo que ela alcança para além da página há o poema imaginado sempre uma imagem de poema desfazendo-se afundando um navio atracando-se no espaço um navio a cada vez refeito mas o corpo do poema não é imaginário tampouco a possibilidade de um limite não há limite apenas limitação a folha acaba a tinta acaba a língua é o ponto de desacordo roçar a página ancorar mas a cada vez apenas por um instante este inacabado este que nunca termina

Por Annita Costa Malufe