Mais frases de Geraldo Carneiro!

corações futuristas pular a bandeira pular a bandeira bordada pular a bandeira bordada de seda e estrelas rodar no balanço rodar no balanço do mundo rodar no balanço do mundo de sombras e cachaça dançar a ciranda dançar a ciranda do sono dançar a ciranda do sono perdido na noite guardar o segredo guardar o segredo da lua guardar o segredo da lua afogada no poço

Por Geraldo Carneiro

a prosa do observatório o poeta esquadrinha a natureza em busca de indícios: eclipses o grafismo das garças no lago estrelas cadentes e outros sinais da língua de deus. e deus, crupiê do acaso, foi passar o verão noutra galáxia deixou no céu uma guirlanda de enigmas e mais meia dúzia de coincidências pra orientar o frenesi dos tolos e as especulações da astronomia

Por Geraldo Carneiro

neoplatônica a boca é o lugar onde se engendra o silêncio e se proferem sentenças de morte e colhem blasfêmias e serpenteiam sortilégios e se enfunam as flores da fala até forjar a ficção de outra boca de onde se extrai a idéia do beijo

Por Geraldo Carneiro

canção do exílio o poeta sem sua plumagem é um deus exilado do cosmo strip-teaser metafísico só lhe resta sambar no inferninho do caos sob os neons do nada sempre nu diante do espelho sem espelho diante de si

Por Geraldo Carneiro

à flor da língua uma palavra não é uma flor uma flor é seu perfume e seu emblema o signo convertido em coisa-imã imanência em flor: inflorescência uma flor é uma flor é uma flor (de onde talvez decorra o prestigio poético das flores com seus latins latifoliados na boca do botânico amador) a palavra não: é só floriléfio ficção pura, crime contra a natura por exemplo, a palavra amor

Por Geraldo Carneiro

filosofia da composição sempre sonhei compor um poema narcísico com tetas como tempestades e as furibundas fêmeas com quem copulou o bardo Gérard Éluard Du Kar´Nehru na mui sensualmente San Sebastian ciudad de los enganos mas a musa dos meus verdes anos perdeu-me em sua primavera de pentelhos e, ainda melhor, furtou-me o espelho

Por Geraldo Carneiro

Com seu obstinado esforço de embranquecimento, Machado de Assis foi uma espécie de precursor de Michael Jackson.

Por Geraldo Carneiro

romântica o poeta se enfastia da lua e a compara à amada depois se enfastia da amada e vice-versa

Por Geraldo Carneiro

eternidade para os estóicos o tempo não era a mera caravana dos sucessos, essa aventura quase sempre sem sentido no rumo da anti-Canaã, a terra onde não há qualquer Moisés extravagando no Deserto dos Sinais existe assim um outro tempo, imóvel, no qual paira a palavra impronunciada, o mito, sendo tudo e nada, e idéias como flores ainda à espera de outra Era ou só da primavera e da decifração posterior em suma, se os estóicos não criaram um sistema solar irresistível capaz de orientar a órbita dos astros e as caravelas do conquistador, em troca talvez tenham inventado a melhor metáfora do amor

Por Geraldo Carneiro

O livro é igual ao samba: pode até agonizar, mas não morre.

Por Geraldo Carneiro