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corações futuristas pular a bandeira pular a bandeira bordada pular a bandeira bordada de seda e estrelas rodar no balanço rodar no balanço do mundo rodar no balanço do mundo de sombras e cachaça dançar a ciranda dançar a ciranda do sono dançar a ciranda do sono perdido na noite guardar o segredo guardar o segredo da lua guardar o segredo da lua afogada no poço
a prosa do observatório o poeta esquadrinha a natureza em busca de indícios: eclipses o grafismo das garças no lago estrelas cadentes e outros sinais da língua de deus. e deus, crupiê do acaso, foi passar o verão noutra galáxia deixou no céu uma guirlanda de enigmas e mais meia dúzia de coincidências pra orientar o frenesi dos tolos e as especulações da astronomia
neoplatônica a boca é o lugar onde se engendra o silêncio e se proferem sentenças de morte e colhem blasfêmias e serpenteiam sortilégios e se enfunam as flores da fala até forjar a ficção de outra boca de onde se extrai a idéia do beijo
canção do exílio o poeta sem sua plumagem é um deus exilado do cosmo strip-teaser metafísico só lhe resta sambar no inferninho do caos sob os neons do nada sempre nu diante do espelho sem espelho diante de si
à flor da língua uma palavra não é uma flor uma flor é seu perfume e seu emblema o signo convertido em coisa-imã imanência em flor: inflorescência uma flor é uma flor é uma flor (de onde talvez decorra o prestigio poético das flores com seus latins latifoliados na boca do botânico amador) a palavra não: é só floriléfio ficção pura, crime contra a natura por exemplo, a palavra amor
filosofia da composição sempre sonhei compor um poema narcísico com tetas como tempestades e as furibundas fêmeas com quem copulou o bardo Gérard Éluard Du Kar´Nehru na mui sensualmente San Sebastian ciudad de los enganos mas a musa dos meus verdes anos perdeu-me em sua primavera de pentelhos e, ainda melhor, furtou-me o espelho
Nota: Trecho de uma entrevista feita em março de 2009, ao Toada.
Com seu obstinado esforço de embranquecimento, Machado de Assis foi uma espécie de precursor de Michael Jackson.
nevermore fizemos piqueniques em Pasárgada tramamos romances rocambolescos nas praias mais improváveis. cifras grifos dragões dalém mar cuspiam fogo em nossa eros-dicção você era mais luz: eu era mais treva fomos quase felizes para sempre antes que você escolhesse o dia a hora o grand-finale do espetáculo (ou não escolhesse: a morte é sempre um pas-de-deux com o deus do acaso)
eternidade para os estóicos o tempo não era a mera caravana dos sucessos, essa aventura quase sempre sem sentido no rumo da anti-Canaã, a terra onde não há qualquer Moisés extravagando no Deserto dos Sinais existe assim um outro tempo, imóvel, no qual paira a palavra impronunciada, o mito, sendo tudo e nada, e idéias como flores ainda à espera de outra Era ou só da primavera e da decifração posterior em suma, se os estóicos não criaram um sistema solar irresistível capaz de orientar a órbita dos astros e as caravelas do conquistador, em troca talvez tenham inventado a melhor metáfora do amor
O livro é igual ao samba: pode até agonizar, mas não morre.