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Não tocaria uma só nota serena. O desconforto fosse meu porto. O descompasso meu próprio passo. O mal estar meu maior conforto E todo verso forjado a aço. Assim, através de muitas cidades. Como tudo estivesse ao inverso, Tudo seria reinventando, as artes, As crenças e, enfim, todo universo.
Deste tempo em que estamos (de onde escrevo este relato), uns dizem o fim de uma era, outros, o início de um fraternal estágio. Eu bebo meu chá. Sou do tamanho da minha janela e nela cabe até o mar. Quando os cargueiros somem no horizonte deixam de existir aos meus olhos carpinteiros. Talho o mundo a minha medida. Usei amores, naufrágios, despedidas, e já não eram sentimentos, eram versos.
Não te deites com a volúpia presa aos dentes, se pretendes despertar os lobos.
Meu coração é um violino. Lá fora sopra o vento contorcendo o mar. Penso no infinito. La fora passa o vento digladiando com o mar. A ideia é um precipício. Por que há o vento penso no princípio, no sem fim, no caminho. Triste verso que agora escrevo (e que alguém vai lendo), pensar é um abismo. Sou pequeno bem pequeno, mas minhas mãos tem gestos que nunca terminam.