Poema sem nome Num dia de feroz Intranquilidade Desci dos céus À terra impura Envolta em véus De maldade, De mil doenças, Sem cura. E, fui anjo, Fui demônio. Expectador De lutas, de misérias, De feridas abertas, Sem dor. Ao frio das incertezas, De todas as tristezas, Em angústias de ais, Infernais. Fui arcanjo Do bem E do mal, Em giros gigantes, Nos gritos vibrantes, Dos elefantes Da jangal De ruinas morais. Em trilhas tortuosas, Sinuosas, A conduzir-nos ao fundo Dos pantanais de lama, Fétida. Onde os javalis E as hienas Charfundam, Em risos roucos E bestiais. Onde os pássaros Não cantarão Jamais! Por que desci dos céus À terra impura? Loucura!