Dia da Criança Luzes nas ruas, risos, cores, brilho das vitrines em festa. Um carro, vestido novo, um trem. Gente que passa e não presta atenção nos que ficam à margem do encanto das luzes, no espanto do menino que erra sozinho, perdido na cidade. Que fere, maltrata e destrói com maldade os sonhos de criança. Que rouba no berço o carinho da mãe, que cedo levanta e tanto trabalha, escrava submissa do asfalto, alheio e sem dó de seu filho, tão triste e tão só. Com sua vozinha, fraca e cansada, fica nas ruas perdido a pedir por presente apenas um dia só seu; pois não sabe, afinal, distinguir, como alguém, que com fome cresceu, nos anúncios das lojas que gritam e proclamam que ele também é criança e esse dia é o seu.