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Mais frases e pensamentos de Casimiro de Abreu

“CLARA Não sabes, Clara, que pena Eu teria se - morena Tu fosses em vez de clara! Talvez... Quem sabe?... não digo... Mas refletindo comigo Talvez nem tanto te amara! A tua cor é mimosa, Brilha mais da face a rosa, Tem mais graça a boca breve. O teu sorriso é delírio... És alva da cor do lírio, És clara da cor da neve! A morena é predileta, mas a clara é do poeta: Assim se pintam arcanjos. Qualquer, encantos encerra, Mas a morena é da terra Enquanto a clara é dos anjos! Mulher morena é ardente: Prende o amante demente Nos fios do seu cabelo; - A clara é sempre mais fria, Mas dá-me licença um dia Que eu vou arder no teu gelo! A cor morena é bonita, Mas nada, nada te imita Nem mesmo sequer de leve. - O teu sorriso é delírio... És alva da cor do lírio, És clara da cor da neve!”

“A VALSA Tu, ontem, Na dança Que cansa, Voavas Co'as faces Em rosas Formosas De vivo, Lascivo Carmim; Na valsa Tão falsa, Corrias, Fugias, Ardente, Contente, Tranqüila, Serena, Sem pena De mim! Quem dera Que sintas As dores De amores Que louco Senti! Quem dera Que sintas!... — Não negues, Não mintas... — Eu vi!... Valsavas: — Teus belos Cabelos, Já soltos, Revoltos, Saltavam, Voavam, Brincavam No colo Que é meu; E os olhos Escuros Tão puros, Os olhos Perjuros Volvias, Tremias, Sorrias, P'ra outro Não eu! Quem dera Que sintas As dores De amores Que louco Senti! Quem dera Que sintas!... — Não negues, Não mintas... — Eu vi!... Meu Deus! Eras bela Donzela, Valsando, Sorrindo, Fugindo, Qual silfo Risonho Que em sonho Nos vem! Mas esse Sorriso Tão liso Que tinhas Nos lábios De rosa, Formosa, Tu davas, Mandavas A quem ?! Quem dera Que sintas As dores De arnores Que louco Senti! Quem dera Que sintas!... — Não negues, Não mintas,.. — Eu vi!... Calado, Sózinho, Mesquinho, Em zelos Ardendo, Eu vi-te Correndo Tão falsa Na valsa Veloz! Eu triste Vi tudo! Mas mudo Não tive Nas galas Das salas, Nem falas, Nem cantos, Nem prantos, Nem voz! Quem dera Que sintas As dores De amores Que louco Senti! Quem dera Que sintas!... — Não negues Não mintas... — Eu vi! Na valsa Cansaste; Ficaste Prostrada, Turbada! Pensavas, Cismavas, E estavas Tão pálida Então; Qual pálida Rosa Mimosa No vale Do vento Cruento Batida, Caída Sem vida. No chão! Quem dera Que sintas As dores De amores Que louco Senti! Quem dera Que sintas!... — Não negues, Não mintas... Eu vi!”