"Nós"? O "nós" É só Dois "nó" Juntinho
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Gaveta Qual fim levou as lembranças que em ti deixei? Talvez jogaste-as na primeira gaveta E trancando-as com duas voltas e meia Vislumbrastes esquecer-me por escassez... Seja sincera, achastes mesmo, desta vez Que expulsar-me-ia desse teu coração? Tire-me da gaveta e guarde a solidão Porque ela sim merece o esquecimento!... E pra nós dois, que tal o renovamento De tudo isso que ainda será recordação (Jefferson Moraes) Olinda, Pernambuco 26/08/2014
Soneto ao meu sono Eita, cansaço pra gostar de mim Me puxou em um grande abraço Sussurrou-me como um carrasco: "- Se acostume, vim morar aqui!" Eu não havia dado muita atenção Até quando eu vi o sono chegando E como uma faca ele veio cortando Cada pedaço de minha disposição Enquanto eu sangrava preguiça Fui lembrando que na minha vida O café foi feito pra atrasar o fim Na xícara, tentei ligar pra a insônia Só que ela já tava era na sua cama Assim como eu, querendo dormir
O mormaço da hipocrisia De Recife à Olinda Só se ver alagamentos E o povo, em lamento Diz que vai tomar medida Contra esse homicida Que é o governo local Mas logo perdem a moral Quando vem as eleições Vendem o voto pra ladrões Repetirem tudo igual (Jefferson Moraes) Olinda, Pernambuco 01/05/2014
BR 232 Nessa BR dois três dois Muita gente vai e vem A estrada tem saudade E quem passa nela também Pois quem fica sente falta E quem vai deixa em alguém (Jefferson Moraes) Arcoverde, Pernambuco 07/07/2014
Dor(mente) A dor que guardo na mente Debruça-se sob meu peito Com tanta força dum jeito Que já ficou foi dormente Mas meu medo, tão perene Não é que venha formigar Mas que de tanto esperar Ele se acostume parado E meu fim chegue calado Antes mesmo d'eu te beijar (Jefferson Moraes) 01/08/2014 Olinda, Pernambuco.
Quase dez horas da noite Num sítio perto do Ambô No chão, sanfona e forró No céu, a bela lua de hoje No peito, a força do coice Que a saudade vem dando Só me resta ir lembrando De quem não está comigo No frio, falta-me o abrigo Do abraço de quem eu amo.
Rio Doce / Princesa Isabel (Sem estética) Diante tanta formosura Quase fui atropelado, Abestalhei-me com o Palácio Enquanto atravessava a rua; Tive que voltar pra casa Quando a noite se anunciou, Dei com a mão, driblei camelô, Subi, paguei, fui numa lata No caminho da regressão Passei pelo o cais Santa Rita, Ali, faltava era gente bonita E um tanto de organização; Quase esquecia! Um pouco antes Passou o Forte das Cinco Pontas E uma curva que deixava tonta A cabeça de qualquer pensante; Em um retorno meio horizontal, Eu vi o Capibaribe e o antigo Confesso que um pouco aflito Por me despedir do cartão-postal; Passei pela Cabugá Em um dia de sorte O acelerador ia tão forte, Nem semáforo podia parar; Após deixar o Espaço Ciência Varie o varadouro numa curva, Entrei em Olinda debaixo de chuva, Tinha a mesma alegria e essência Achei que tinha vindo me encantar A chuva escorrendo seu corpo gelado Descendo no embaraço da janela ao lado, Mas por causa dela, não vi a orla passar Entristecido, resolvi me entregar a chuvarada Quando puxei a corda que me fazia zarpar Percebi o que o destino queria me mostrar De uma forma simples e bem clara Que tarde ou cedo, a tempestade se vai Que é só o vidro que fica molhado Cabe acreditar que do outro lado Está a paz, onde só o descaso cai Pensei, segui invertendo Voltei pela a praia a pé, Devagarinho subi a sé, E lá, descansei sereno.
Foi Foi numa noite bela Foi dentro de um coreto Foi uma moça de preto Foi lá na cidade certa Foi tão bom com ela Foi de fronte aos lábios Foi, mesmo sendo fraco Foi valioso, de verdade Foi, deixando saudade Foi o melhor dos abraços Foi muito tarde, já cedo Foi com cheiro de cigarro Foi fingindo ser amado Foi na data de Dom XI Foi sem precisar de beijo Foi como fogo no celeiro Foi sim, por todos os lados Foi, deixando-me em trapos Foi embora, sem vaidade Foi, deixando saudade Foi o melhor dos abraços (Jefferson Moraes) 09/06/2014 Olinda, Pernambuco.
Um sorriso falso guarda mais tristezas do que qualquer choro verdadeiro.
MINHAS SINAS Queria ser a luz que brecha O ventilador que te assopra No frio, ser tua água morna Pra depois virar tua coberta E ir aquecendo tuas pernas Naquelas noites de preguiça Depois abrir nossas cortinas E ser o florido do teu vestido Guardando nos teus sorrisos A lembrança de minhas sinas