Mais frases de Francesc Miralles!

"Já sei que cabelos grisalhos são sinal de sabedoria", pensei arrancando-os pela raiz com uma pinça, "mas não quero que os outros saibam que sou assim tão sábio. É uma mera questão de modéstia."

Por Francesc Miralles

O que só as fadas sabem? [...] - Sabem algo essencial: que só podem viver nos contos. - E isso só as fadas sabem? - Sim, porque nós, os outros, consumimos a vida esperando seres maravilhosos que nunca aparecerão. - E o que você me diz do jardim secreto? - acrescentei. - Ainda estou procurando por ele. Marta riu suavemente antes de dizer: - Com os jardins secretos acontecem a mesma coisa que com as fadas: você nunca os encontra quando precisa deles. Depois de dizer isso, fez-se um silêncio que não era incômodo. Então ela perguntou: - Quando você vai voltar? - Ainda não sei. Qual é a cor do céu? - Se esperar um pouco poderei lhe dizer. Ouvi seus passos descalços se afastando. Uma persiana rangeu ao subir antes que Marta voltasse para dizer. - Azul. - Que tipo de azul? - Aquele que você só pode ver nos dias em que está muito contente. - Quando sabe que vai se viver para sempre jamais? - Algo assim. - Gostaria muito de vê-lo. - E a mim que o visse - suspirou - Queria que você estivesse aqui. ("Queria que você estivesse aqui")

Por Francesc Miralles

O contrário é o conveniente. Sempre que você sentir raiva de alguém, aplique esta máxima. Trata-se de fazer exatamente o contrário do que seu corpo está pedindo. Acredite em mim: produz milagres.

Por Francesc Miralles

“Entendi de repente que nosso futuro depende de atos tão mínimos como o de alimentar um gato…”

Por Francesc Miralles

A cultura é um ruido de fundo que não me deixa ver a vida tal como é. A cultura não faz ninguém feliz. Quero ser alguém ignorante, ou um camponês sábio que adivinha quando choverá e se deita e levante com o sol.

Por Francesc Miralles

Imagine que vou fazer uma longa viagem, sem saber quando volto, e você vai até a estação de trem para se despedir de mim.Se depois nos comunicarmos por carta ou telefone e nos lembrarmos da despedida, não estaremos falando da mesma coisa, mesmo que imaginemos que sim. A minha lembrança e a sua serão diferentes, isso quando não forem exatamente opostas. Você se lembra de um homem que se afasta em um trem e que acena da janela. Mas eu me lembro de um homem imóvel em uma plataforma e de que ele fi cava cada vez menor. É a única coisa que podemos compartilhar: a sensação do outro fi cando menor. Trata-se de algo que encontra eco em nossas emoções. Quando nos distanciamos fisicamente de alguém, sua presença no inconsciente se reduz progressivamente. Talvez, nesse sentido, o que acontece no nível óptico seja mera preparação para o que acontecerá na mente. Mas voltemos ao início: a experiência nunca pode ser compartilhada. Ela é servida sempre em frascos individuais.

Por Francesc Miralles

Na época da dispersão absoluta, da cultura do instantâneo, da falta de escuta e da superficialidade, há, dentro de cada pessoa, uma chave capaz de abrir novamente as portas da atenção, da harmonia e do amor à vida. Essa chave se chama Ichigo-ichie.

Por Francesc Miralles

— Você tem razão. Agora que estou pensando nisso, tenho um significado à procura de uma palavra: amor em minúscula. — Amor em minúscula? — Sim, talvez seja a única descoberta de que tenho orgulho — disse exaltado. — Uma pessoa faz um pequeno gesto bondoso e isso desata uma cadeia de acontecimentos que lhe devolvem um amor multiplicado. Ao final, embora você queira voltar ao ponto de partida, não é mais possível, porque o amor em minúscula apagou qualquer caminho de volta ao que existira antes.

Por Francesc Miralles