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Salmos, SL, 22:15, Secou-se o meu vigor, como um caco de barro, e a língua se me apega ao céu da boca; assim, me deitas no pó da morte.
Por Salmos, Antigo TestamentoHistória das demolições A história das demolições a história trágica das demolições não acontece como no cinema a vida não tem trilha sonora as paredes caem silenciosamente (no máximo a pancada dos martelos) o chão varrido fica melhor (o passado não voltará no ladrilho novo) lembrar o que quer que seja é inútil as imagens da memória são ruins o que ficasse em nós seria a esperança mas o que existe não exige lembrança o que morreu está definitivamente morto não há sequer a vontade de chorá-lo o luto mesmo é impossível
Por Fabrício CorsalettiPrecisamos pensar no fato de que somos todos mais do que a pior coisa que fizemos.
Por Anthony Ray HintonMateus, MT, 25:40, <J> - O Rei, respondendo, lhes dirá: ´Em verdade lhes digo que, sempre que o fizeram a um destes meus pequeninos irmãos, foi a mim que o fizeram.`</J>
Por Mateus, Novo TestamentoMeia lágrima Não, a água não me escorre entre os dedos, tenho as mãos em concha e no côncavo de minhas palmas meia gota me basta. Das lágrimas em meus olhos secos, basta o meio tom do soluço para dizer o pranto inteiro. Sei ainda ver com um só olho, enquanto o outro, o cisco cerceia e da visão que me resta vazo o invisível e vejo as inesquecíveis sombras dos que já se foram. Da língua cortada, digo tudo, amasso o silencio e no farfalhar do meio som solto o grito do grito do grito e encontro a fala anterior, aquela que emudecida, conservou a voz e os sentidos nos labirintos da lembrança.
Por Conceição Evaristo