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O ponto principal da literatura, eu acho, é que é a melhor tecnologia que temos para comunicar como é a vida de outra pessoa, a partir do seu interior.
Por Garth GreenwellNum sonho eu era como o vento e podia voar Voei pra ver as maravilhas de cada lugar Dancei com os índios, mergulhei entre os corais Troquei idéia com um coroa que era demais Vi dreadlocks e confetes bailando no ar E três amigas se abraçavam de se transbordar Agradecido, aplaudi o pôr-do-sol Por onde for terei seu fogo como o meu farol
Por ForfunEU, ETIQUETA Em minha calça está grudado um nome que não é meu de batismo ou de cartório, um nome... estranho. Meu blusão traz lembrete de bebida que jamais pus na boca, nesta vida. Em minha camiseta, a marca de cigarro que não fumo, até hoje não fumei. Minhas meias falam de produto que nunca experimentei mas são comunicados a meus pés. Meu tênis é proclama colorido de alguma coisa não provada por este provador de longa idade. Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro, minha gravata e cinto e escova e pente, meu copo, minha xícara, minha toalha de banho e sabonete, meu isso, meu aquilo, desde a cabeça ao bico dos sapatos, são mensagens, letras falantes, gritos visuais, ordens de uso, abuso, reincidência, costume, hábito, premência, indispensabilidade, e fazem de mim homem-anúncio itinerante, escravo da matéria anunciada. Estou, estou na moda. É duro andar na moda, ainda que a moda seja negar minha identidade, trocá-la por mil, açambarcando todas as marcas registradas, todos os logotipos do mercado. Com que inocência demito-me de ser eu que antes era e me sabia tão diverso de outros, tão mim mesmo, ser pensante, sentinte e solidário com outros seres diversos e conscientes de sua humana, invencível condição. Agora sou anúncio, ora vulgar ora bizarro, em língua nacional ou em qualquer língua (qualquer, principalmente). E nisto me comparo, tiro glória de minha anulação. Não sou - vê lá - anúncio contratado. Eu é que mimosamente pago para anunciar, para vender em bares festas praias pérgulas piscinas, e bem à vista exibo esta etiqueta global no corpo que desiste de ser veste e sandália de uma essência tão viva, independente, que moda ou suborno algum a compromete. Onde terei jogado fora meu gosto e capacidade de escolher, minhas idiossincrasias tão pessoais, tão minhas que no rosto se espelhavam e cada gesto, cada olhar cada vinco da roupa sou gravado de forma universal, saio da estamparia, não de casa, da vitrine me tiram, recolocam, objeto pulsante mas objeto que se oferece como signo de outros objetos estáticos, tarifados. Por me ostentar assim, tão orgulhoso de ser não eu, mas artigo industrial, peço que meu nome retifiquem. Já não me convém o título de homem. Meu nome novo é coisa. Eu sou a coisa, coisamente.
Por Carlos Drummond de AndradeJó, JÓ, 29:6, quando eu lavava os meus pés em leite, e da rocha me corriam rios de azeite.
Por Jó, Antigo Testamento"O que possuímos nos domina, e não o contrário. Agora que eu pensava melhor a respeito, pude ver que aquilo que possuímos não só nos domina como também nos faz criar raízes..."
Por Harlan CobenMarcos, MC, 14:30, Mas Jesus lhe disse: <J> - Em verdade lhe digo que hoje, nesta noite, antes que o galo cante duas vezes, você me negará três vezes.</J>
Por Marcos, Novo TestamentoJeremias, JR, 49:6, - Mas depois disto mudarei a sorte dos filhos de Amom, diz o Senhor.
Por Jeremias, Antigo Testamento