Mais frases de Anna Akhmátova!

⁠E se, neste país, um dia decidirem à minha memória erguer um monumento, eu concordarei com essa honraria, desde que não me façam essa estátua nem à beira do mar, onde nasci – meus últimos laços com o mar já se romperam –, nem no jardim do Tsar, junto ao tronco consagrado, onde uma sombra inconsolável ainda procura por mim, mas aqui, onde fiquei de pé trezentas horas sem que os portões para mim se destrancassem.

Por Anna Akhmátova

⁠Aprendi a viver com simplicidade, com juízo, a olhar o céu, a fazer minhas orações, a passear sozinha até a noite, até ter esgotado esta angústia inútil. Enquanto no penhasco murmuram as bardanas e declina o alaranjado cacho da sorveira, componho versos bem alegres sobre a vida caduca, caduca e belíssima. Volto para casa. Vem lamber a minha mão o gato peludo, que ronrona docemente, e um fogo resplandecente brilha no topo da serraria, à beira do lago. Só de vez em quando o silêncio é interrompido pelo grito da cegonha pousando no telhado. Se vieres bater à minha porta, é bem possível que eu sequer te ouça.

Por Anna Akhmátova

Bebo ao lar em pedaços, À minha vida feroz, À solidão dos abraços E a ti, num brinde, ergo a voz… Ao lábio que me traiu, Aos mortos que nada vêem, Ao mundo, estúpido e vil, A Deus, por não salvar ninguém.

Por Anna Akhmátova

⁠Asa Eu vivo como um cuco no relógio. Não invejo os pássaros livres. Se me dão corda, canto. Só aos inimigos Se deseja Tanto.

Por Anna Akhmátova

⁠O último brinde Bebo à casa arruinada, às dores de minha vida, à solidão lado a lado e à ti também eu bebo – aos lábios que me mentiram, ao frio mortal nos olhos, ao mundo rude e brutal e a Deus que não nos salvou.

Por Anna Akhmátova