Mais frases de Joaquim Manuel de Macedo!

A justiça pública arma ratoeiras que só apanham os camundongos.

Por Joaquim Manuel de Macedo

Como se ele fosse a inércia da matéria, que conserva impressão, mas que não a guarda senão o tempo que é gasto para um novo agente modificá-la.

Por Joaquim Manuel de Macedo

- Eu gosto de andar só, minha senhora. - Sempre é má e triste a solidão.

Por Joaquim Manuel de Macedo

Quando se ama deveras e se está com o objeto do amor, não se recorda, não se deseja, não se quer mais nada!... (A Moreninha)

Por Joaquim Manuel de Macedo

Nas lágrimas de amor há, como na saudade, uma doce amargura, que é veneno que não mata, por vir sempre temperado com o reativo da esperança, a moça julgou dever separar da dor, que a fazia chorar amargores, a esperança que no pranto lhe adicionava a doçira, e, tendo de exprimir a doçura, Ahy cantou.

Por Joaquim Manuel de Macedo

Ora, o tal bichinho chamado amor é capaz de amoldar seus escolhidos a todas as circunstâncias e de obrigá-los a fazer quanta parvoíce há nesse mundo. O amor faz o velho criança, o sábio doido, o rei humilde cativo; faz mesmo, às vezes, com que o feio pareça bonito e o grão de areia um gigante.

Por Joaquim Manuel de Macedo

Nos olhos e no sorrir é que está a flama da vida de um rosto de mulher.

Por Joaquim Manuel de Macedo

Amor é um menino doidinho e malcriado que, quando alguém intenta refreá-lo, chora, escarapela, esperneia, escabuja, morde, belisca e incomoda mais que solto e livre; prudente é facilitar-lhe o que deseja, para que ele disso se desgoste; soltá-lo no prado, para que não corra; limpar-lhe o caminho para que não passe; acabar com as dificuldades e oposições, para que ele durma e muitas vezes morra.

Por Joaquim Manuel de Macedo

O que quiserem... Serei incorrigível, romântica ou velhaca, não digo o que sinto, não sinto o que digo, ou mesmo digo o que não sinto; sou, enfim, má e perigosa, e vocês inocentes e anjinhos. Todavia, eu a ninguém escondo os sentimentos que ainda há pouco mostrei: em toda a parte confesso que sou volúvel, inconstante e incapaz de amar três dias um mesmo objeto; verdade seja que nada há mais fácil do que me ouvirem um "eu vos amo", mas também a nenhum pedi ainda que me desse fé; pelo contrário, digo a todos o como sou; e se, apesar de tal, sua vaidade é tanta que se suponham inesquecíveis, a culpa, certo que não é minha. Eis o que faço. E vós, meus caros amigos, que blasonais de firmeza de rochedo, que jurais amor eterno cem vezes por ano a cem diversas belezas... sois tanto ou ainda mais inconstantes que eu!... Mas entre nós há sempre uma grande diferença; vós enganais e eu desengano; eu digo a verdade e vós, meus senhores, mentis...

Por Joaquim Manuel de Macedo

Um advogado era para mim a luz do direito, o escudo da inocência, o campeão da lei; era a sabedoria a pleitear pela justiça; como pois um advogado se anima a mentir diante de Deus e dos homens, a malfazer a sociedade, esforçando-se com todo o poder das suas faculdades para que se julgue inocente e puro um assassino conhecido e provado, um malvado que ele sabe que é assassino?... e, mil vezes ainda pior, como é que outro advogado, profundamente convencido de que o réu não cometeu o crime que lhe imputam, ousa ir acusa-lo, ousa ir pedir que o encarcerem, que o condenem a trabalhos forçados?... E além da mentira o dolo!... o dolo; porque tais advogados se empenham em enganar os juízes de fato, tecem ardis, desfiguram os atos praticados, enredam e perturbam as testemunhas, tornam o processo caos com o fim de arrastar o júri a decisões contrárias à verdade e à justiça e só em proveito dos clientes que os têm contratado para acusar ou defender? (...) Ah! visão do mal que me estás levando a descrer da humanidade! (Trecho da obra: A Luneta Mágica)

Por Joaquim Manuel de Macedo