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⁠só a sede o silêncio nenhum encontro cuidado comigo amor meu cuidado com a silenciosa no deserto com a viajante com o copo vazio e com a sombra de sua sombra

Por Alejandra Pizarnik

I Crônicas, 1CR, 23:12, O filhos de Coate foram: Anrão, Isar, Hebrom e Uziel, quatro ao todo.

Por I Crônicas, Antigo Testamento

Me atualizei em outra boca E naquele beijo fechei os olhos Pra te esquecer E só deu você, só deu você

Por Ávine Vinny

E pra uma boa saudade A lembrança de um beijo basta E se o amor é só um Alguém aí errou a matemática E eu vou te levando assim Na gaveta do primeiro amor que fez bem pra mim

Por Jonas Esticado

O que se consegue de borla custa demasiado.

Por Jean Anouilh

"Se você olhar de perto, o olho pode dizer mais do que você pensa Um simples borrão pode se tornar algo Uma luz vira uma sombra O mundo fica colorido Olhe nos meus olhos"

Por Jessie J

Mateus, MT, 24:27, <J>Porque, assim como o relâmpago sai do Oriente e brilha até o Ocidente, assim será a vinda do Filho do Homem.</J>

Por Mateus, Novo Testamento

Levítico, LV, 7:27, Toda pessoa que comer algum sangue será eliminada do meio do seu povo.

Por Levítico, Antigo Testamento

Ela presa no condomínio e ele solto pelo mundo...

Por A Dama e o Vagabundo

A capacidade de esquecer é o que existe de mais precioso sobre a face da terra, sob as nossas faces. Amar é indubitavelmente mais magnânimo, mas não é tão essencial quanto o esquecimento: é ele que nos mantém vivos. O amor torna a paisagem mais bonita, mas é o bálsamo curativo do esquecimento que nos faz ter vontade de abrir os olhos para vê-la. A paixão empresta um sentido quase mítico aos dias, mas é esquecer da excruciante tristeza perante a morte dela que nos torna aptos para nos encantarmos novamente dali a pouco. Já esqueci amores inesquecíveis e sobrevivi a paixões que, tinha convicção, me aniquilariam se terminassem. Às vezes cruzo na rua com fantasmas que já foram muito vivos na minha história e não deixo de sentir uma certa melancolia por perceber que aquele rosto um dia pleno de significado se tornou tão relevante quanto um outdoor de pasta de dente. Algumas pessoas são apagadas da memória como filmes desimportantes. Sem maldade o intenção; apenas esmaecem até desaparecer. Mas é mesmo impossível nos lembrar de todos os que passaram por nós: gente demais, espaço de menos. Da mesma forma que minha história está repleta de coadjuvantes e figurantes que, irrefletidamente, se auto-proclamavam protagonistas, eu devo ser a personagem cômica da história de alguém. Ninguém se esquiva da experiência constrangedora de bancar o bobo da corte no reino de outro. Mas esse oco de significado não vem sem um certo pesar. É ruim notar que já não dizemos praticamente nada para quem importou tanto. Na verdade é dolorido ser olvidado: não é fácil encarar que não somos insubstituíveis e que nossa saída displicente abre uma possibilidade de entrada tão desejada por outros. Mas só nos desenroscamos e seguimos nosso rumo natural, em frente, quando eliminamos alguns seres que, caso contrário, nos prenderiam aos emaranhantes aguapés de recordações. "Há pessoas que ficam doendo com a lembrança de outra pessoa, entra ano, sai ano, virando e revirando o caleidoscópio, olhando como caem e de dispõe as cores e os cristais do sofrimento" (Paulo Mendes Campos). O passado deve ser mantido no lugar dele e não trazido nas costas feito mochila de viajante, lotado com os erros cometidos e alegrias jamais revividas. Para ser feliz é necessário pouca coisa além se livrar do excesso de carga e esquecer as coisas certas. É útil também jamais perder de vista um detalhe, afixá-lo no espelho do banheiro, repetir como um mantra: absolutamente nada é pra sempre, nem sentimentos que parecem ser. Nunca mais haverá amor como aquele? Ótimo, porque o novo é tão imenso que seria um desperdício se algo se repetisse. Todo mundo passa. E é bom que seja assim.

Por Ailin Aleixo