Ver outros textos deste Autor...
Leitor: co-autor do texto.
O que sobra é obra, o resto soçobra.
A poesia é uma criação da cultura, mas esta deve permanecer invisível no poema.
O meu leitor não é o que me lê. É o que me relê (caso exista). Um autor lido unicamente uma vez não tem leitores, por mais retumbante que seja o seu sucesso.
Nem sempre os grandes escritores são bons escritores.
Na vida precisamos sempre usar máscaras, pois ninguém nos reconheceria se nos apresentássemos de rosto nu.
SONETO DOS VINTE ANOS Que o tempo passe, vendo-me ficar no lugar em que estou, sentindo a vida nascer em mim, sempre desconhecida de mim, que a procurei sem a encontrar. Passem rios, estrelas, que o passar é ficar sempre, mesmo se é esquecida a dor de ao vento vê-los na descida para a morte sem fim que os quer tragar. Que eu mesmo, sendo humano, também passe mas que não morra nunca este momento em que eu me fiz de amor e de ventura. Fez-me a vida talvez para que amasse e eu a fiz, entre o sonho e o pensamento, trazendo a aurora para a noite escura.
A maioria dos biógrafos empenha-se em explicar a obra a partir da vida, quando o correto é exatamente o contrário: trata-se de explicar a vida a partir da obra.
Que em seu gabninete, fala em nome do povo não sabe que a galinha nasceu antes do ovo. (soldado raso)
Acontecimento do Soneto . A doce sombra dos cancioneiros em plena juventude encontro abrigo. Estou farto do tempo, e não consigo cantar solenemente os derradeiros. . versos de minha vida, que os primeiros foram cantados já, mas sem o antigo acento de pureza ou de perigo de eternos cantos, nunca passageiros. . Sôbolos rios que cantando vão a lírica imortal do degredado que, estando em Babilônia, quer Sião, . irei, levando uma mulher comigo, e serei, mergulhado no passado, cada vez mais moderno e mais antigo. .