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Ver muito lucidamente prejudica o sentir demasiado. E os gregos viam muito lucidamente. Por isso pouco sentiam. Daí a sua perfeita execução da obra de arte.
Por Fernando PessoaO Homem Escrito Ainda está vivo ou virou peça de arquivo sua vida é papel a fingir de jornal? Dele faz-se bom uso seu texto é confuso? Numa velha gaveta o esquecem, a caneta? Após tantos escapes arredonda-se em lápis? Essa indelével tinta é para que não minta mas do que o necessário é uma sigla no armário? Recobre-se de letras ou são apenas tretas? Entrará em catálogo a custa de monólogo? Terá número, barra e borra de carimbo? Afinal, ele é gente ou registro pungente?
Por Carlos Drummond de AndradeGênesis, GN, 25:10, o campo que Abraão havia comprado dos filhos de Hete. Ali foram sepultados Abraão e Sara, sua mulher.
Por Gênesis, Antigo TestamentoMarcos, MC, 6:16, Herodes, porém, ouvindo isto, disse: - É João, a quem eu mandei decapitar, que ressuscitou.
Por Marcos, Novo TestamentoEzequiel, EZ, 37:3, Então me perguntou: - Filho do homem, será que estes ossos podem reviver? Respondi: - Senhor Deus, tu o sabes.
Por Ezequiel, Antigo TestamentoUma grama de ação vale mais do que uma tonelada de teoria. Talvez a evolução superior dos arianos e dos semitas se deva à abundância de carne e leite em sua alimentação e, particularmente, pela benéfica influência desses alimentos no desenvolvimento das crianças. Com efeito, os índios 'pueblos' do Novo México, que se vêem reduzidos a uma alimentação quase exclusivamente vegetal, têm o cérebro menor que o dos índios da fase inferior da barbárie, que comem mais carne e mais peixe. Em todo caso, nessa fase desaparece, pouco a pouco, a antropofagia, que não sobrevive senão como um rito religioso, ou como sortilégio, o que dá quase no mesmo. De acordo com a concepção materialista, o fator decisivo na história é, em última instância, a produção e a reprodução da vida imediata. Mas essa produção e essa reprodução são de dois tipos: de um lado, a produção de meios de existência, de produtos alimentícios, habitação, e instrumentos necessários para tudo isso; de outro lado, a produção do homem mesmo, a continuação da espécie. A ordem social em que vivem os homens de determinada época ou determinado país está condicionada por essas duas espécies de produção: pelo grau de desenvolvimento do trabalho, de um lado, e da família, do outro. Quanto menos desenvolvido é o trabalho, mais restrita é a quantidade de seus produtos e, por consequência, a riqueza da sociedade; com tanto maior força se manifesta a influência dominante dos laços de parentesco sobre o regime social. Como o Estado nasceu da necessidade de conter o antagonismo das classes, e como, ao mesmo tempo, nasceu em meio ao conflito delas, é, por regra geral, o Estado da classe mais poderosa, da classe economicamente dominante, classe que, por intermédio dele, se converte também em classe politicamente dominante e adquire novos meios para a repressão e exploração da classe oprimida. Quando for possível falar de liberdade, o Estado como tal deixará de existir.
Por Friedrich EngelsE é tão difícil quanto arriscado escrever sobre o que está em movimento, sem a proteção assegurada pelo distanciamento histórico. Poucos são os intelectuais que se arriscam a sair do conforto de seus feudos para enfrentar o debate público com suas dúvidas. E por isso aqueles que se arriscam de forma honesta, sem ficar arrotando suas certezas e suas credenciais, ou usando-as para massacrar aqueles que já são massacrados, são tão preciosos.
Por Eliane Brum