Deixei a porta entreaberta sou um animal que não se resigna a morrer a eternidade na escura dobradiça que cede um pequeno ruído na noite da carne sou a ilha que avança sustentada pela morte ou uma cidade ferozmente cercada pela vida ou talvez não sou nada só a insônia e a brilhante indiferença dos astros deserto destino inexorável o sol dos vivos se levanta reconheço essa porta não há outra gelo primaveril e um espinho de sangue no olho da rosa.