Ver outros textos deste Autor...
A arte tem com a sociedade a mesma relação que o sonho tem com a vida mental.
Quando nos dão um caminho no qual nos sentimos seguros, nos apegamos a ele. Deixamos de viver por nós mesmos para seguir algumas diretrizes, alguns ensinamentos que sabemos de cor. Se não nos atrevermos a liberar essas amarras, não chegaremos a saber o que é pensar em liberdade.
Quando ele acabar, você saberá que o amor foi um presente.
FIM DE FESTA Se quem você ama vive de ameaças, A abandonar-te, deixar-te, coisa assim! E usa sempre isso pra fazer trapaças, Falando em constância de um provável fim. Se quem você ama vive de pirraças, Apenas pra enervar-te ou algo mais alem E às vezes se desmancha em graças Fazendo-te inferior a outro alguém. Se quem você ama, só te vê defeitos Questionando sempre seus conceitos E nem mais pedindo tua opinião. Então se acabou!... Fim!... Final de festa... Recolha o pouco orgulho que te resta, E procure abrigo noutro coração.
Sentir saudades?... Quem é que não sente? Afinal apenas somos só humanos. Mas a saudade às vezes é latente e nos carrega ao mundo dos insanos. E nesta coisa de se estar carentes, vemos no passar lento dos anos, que aqueles sonhos de outrora presentes vão dando espaço à voz dos desenganos. Assim, ante o incomodo desconforto, de se ver passar anos sempre iguais. Qual errante nau que procura porto, No horizonte extremo de longínquo cais, Singramos ondas de um oceano morto, Onde sereias já não cantam mais...
Ciranda Meu coração andarilho vagou por tanto caminho. Tanta curva, tanto trilho, tanta rota em desalinho. Tanta luz de pouco brilho, tanta flor de muito espinho. Tanto beijo maltrapilho, tanta cama sem carinho. Tanta gente ao derredor, tantas vezes eu tão só te chamei desesperado. Até que num belo dia fez-se a mais louca magia e eu acordei do seu lado.
Lembranças Quantas …Quantas noites mal dormidas, vendo o deslizar das horas mortas, vagamos por imagens absortas no silêncio da casa adormecida. Quantas as lembranças produzidas, que tomam de assalto o vão das portas e erguem um retrato em linhas tortas daquilo o que foram nossas vidas. E neste emaranhado sempre tem a dor d’uma lágrima sentida que recorda-nos a face de alguém. Alguém, por quem a alma chora e sonha e o abraço ao travesseiro é a saída …Mesmo que as vezes lhe encharque a fronha!
( 001 ) · 23 de setembro de 2012 · PÁGINAS EM BRANCO Jenário de Fátima Tudo aquilo que nos sempre vivemos, nos rumos que tomaram nossas vidas, pelas noites de insônia, mal dormidas Ou na quebra das promessas que fizemos. lembrando bons amigos que perdemos, ou canções que já não mais são ouvidas Chorando as tristezas escondidas de amores dos quais nunca esquecemos. Tudo isso faz parte de nossa historia, Historia que vivemos dia a dia Editadas em um livro na memória. E a minha, pra lhe ser sincero e franco, Dá-me um aperto, uma angústia, uma agonia, Quando olho tantas páginas em branco.
( 008 ) MOMENTOS Jenário de Fátima Muito mais que momentos excitantes, Que ousamos trocar todo momento. Muito mais que este deslumbramento, Tão comum à loucura dos amantes. Muito mais que o delírio dos instantes Que me ocupa e me toma o pensamento. Muito mais que os sonhos delirantes Que passeiam pelos versos que invento. Muito mais que isso tudo que me toma. Isso tudo que adere, gruda, soma, Ao desejo que aflora entre nós dois É a certeza do que conta é o presente. Porque o resto assim, pura e simplesmente Simplesmente a gente deixa pra depois.
( 009 ) Balanço Jenário de Fátima Tudo passa, enfim tudo é passageiro. Passa o tempo e as vezes nem percebemos. Que as rugas que nos cobrem, que nós temos São as provas de que o tempo anda ligeiro. Vai dezembro, vem ai novo janeiro, Repetindo a dança d tantos anos. E de novo o mesclar de tantos planos Nos confunde em o que fazer primeiro. Entretanto, quando olhamos lá pra trás. Ao saber que o que passou não volta mais, No produto entre o que foi choro ou riso. Muitas dúvidas ainda permanecem. Pois os nossos valores sempre crescem Quando na soma do amor há prejuízo