Mais frases de Eddie Cantor!

⁠UM BEIJO Teu beijo, fostes a minha doce emoção O melhor, o mais intenso e tão sedento Contigo à alma elevou do firmamento E devorei-te na boca a grata sensação Apoderaste, a minha ideia não te olvida Sente-te, arde, é imortal no pensamento E o meu querer é desejo, é meu sustento Com ele fui pela fervente paixão contida Beijo ímpar, lascivo e precioso abrigo Escravo, me sinto servo de tal instante Por que, dado, não o deixei contigo? Esputas-me, o gosto, de tão macio fruto Beijo absoluto! afável, veludo delirante Na constante presença daquele minuto! © Luciano Spagnol – poeta do cerrado 24, agosto, 2021, 15’17’ - Araguari, MG Olavobilaquiando

Por Poeta do cerrado LUCIANO SPAGNOL

A fé consciente é liberdade; A fé do emocional é escravidão; A fé mecânica é estupidez. O amor consciente desperta o mesmo em resposta; O amor emocional provoca o contrário; O amor físico depende do tipo e da polaridade. A esperança inquebrantável é força; A esperança mesclada de dúvida é covardia; A esperança mesclada de temor é fraqueza.

Por Gurdjieff

83 conselhos de Gurdjieff a sua filha 1. Fixa tua atenção em ti mesma, sê consciente em cada instante do que pensas, sentes, desejas e fazes. 2. Termina sempre o que começaste. 3. Faz o que estiveres fazendo o melhor possível. 4. Não te prendas a nada que com o tempo venha a te destruir. 5. Desenvolve tua generosidade sem testemunhas. 6. Trata cada pessoa como um parente próximo. 7. Arruma o que desarrumaste. 8. Aprende a receber, agradece cada dom. 9. Para de te autodefinir. 10. Não mintas, nem roubes, pois estarás mentindo e roubando a ti mesmo. 11. Ajuda teu próximo sem torná-lo dependente. 12. Não desejes que te imitem. 13. Faz planos de trabalho e cumpre-os. 14. Não ocupes demasiado espaço. 15. Não faças ruídos nem gestos desnecessários. 16. Se não tens fé, finge tê-la. 17. Não te deixes impressionar por personalidades fortes. 18. Não te apropries de nada nem de ninguém. 19. Reparte equitativamente. 20. Não seduzas. 21. Come e dorme o estritamente necessário. 22. Não fales de teus problemas pessoais. 23. Não emitas juízos nem críticas quando desconheceres a maior parte dos fatos. 24. Não estabeleças amizades inúteis. 25. Não sigas modas. 26. Não te vendas. 27. Respeita os contratos que firmaste. 28. Sê pontual. 29. Não invejes os bens ou sucesso do próximo. 30. Fala só o necessário. 31. Não penses nos benefícios que advirão da tua obra. 32. Nunca faças ameaças. 33. Realiza tuas promessas. 34. Coloca-te no lugar do outro em uma discussão. 35. Admite que alguém te supere. 36. Não elimines, mas transforma. 37. Vence teus medos, cada um deles é um desejo camuflado. 38. Ajuda o outro a se ajudar a si mesmo. 39. Vence tuas antipatias e te acerca de quem queres rejeitar. 40. Não reajas ao que digam de bom ou de mau sobre ti. 41. Transforma teu orgulho em dignidade. 42. Transforma tua cólera em criatividade. 43. Transforma tua avareza em respeito pela beleza. 44. Transforma tua inveja em admiração pelos valores alheios. 45. Transforma teu ódio em caridade. 46. Não te vanglories nem te insultes. 47. Trata o que não te pertence como se te pertencesse. 48. Não te queixes. 49. Desenvolve tua imaginação. 50. Não dês ordens só pelo prazer de ser obedecido. 51. Paga pelos serviços que te prestam. 52. Não faças propaganda de tuas obras ou ideias. 53. Não trates de despertar, nos outros em relação a ti, emoções como piedade, admiração, simpatia e cumplicidade. 54. Não chames atenção por tua aparência. 55. Nunca contradigas, cala-te. 56. Não contraias dívidas, compra e paga em seguida. 57. Se ofenderes alguém, pede desculpas. 58. Se ofendeste publicamente, desculpa-te igualmente em público. 59. Se te dás conta de que te equivocaste, não insistas por orgulho no erro e desiste imediatamente de teus propósitos. 60. Não defendas tuas antigas ideias só porque tu as enunciaste. 61. Não conserves objetos inúteis. 62. Não te enfeites com as ideias alheias. 63. Não tires fotos com personagens famosos. 64. Não prestes contas a ninguém, sê teu próprio juiz. 65. Nunca te definas pelo que possuis. 66. Nunca fales de ti sem te conceder a possibilidade de mudança. 67. Aceita que nada é teu. 68. Quando pedirem a tua opinião sobre alguém, fala somente de suas qualidades. 69. Quando adoeceres, em vez de odiar esse mal, considera-o teu mestre. 70. Não olhes com dissimulação, olha fixamente. 71. Não te esqueças de teus mortos, mas limita-os em um espaço que não lhes permita invadir toda a tua vida. 72. Em tua moradia, reserva sempre um lugar ao sagrado. 73. Quando realizares um serviço, não ressaltes teus esforços. 74. Se decidires trabalhar para alguém, trata de fazê-lo com prazer. 75. Se estás em dúvida entre fazer ou não fazer algo, arrisca-te e faz. 76. Não queiras ser tudo para teu cônjuge; admite que busque em outras pessoas o que não lhe podes dar. 77. Quando alguém tenha seu público, não tentes contradizê-lo e roubar-lhe a audiência. 78. Vive dos teus próprios ganhos. 79. Não te vanglories de aventuras amorosas. 80. Não exaltes as tuas debilidades. 81. Não visites alguém só para preencheres o teu tempo. 82. Obtém para repartir. 83. Se estás meditando e um diabo se aproxima, bota-o a meditar também…

Por Gurdjieff

[...] O homem é uma máquina. Tudo que faz, todas as suas ações, todas as suas palavras, seus pensamentos, sentimentos, convicções, opiniões e hábitos, são resultados de influências exteriores. Por si mesmo, o homem não pode produzir um só pensamento, uma só ação. O homem é uma máquina que apenas responde a estímulos externos

Por Gurdjieff

O Amor Bate na Aorta Cantiga de amor sem eira nem beira, vira o mundo de cabeça para baixo, suspende a saia das mulheres, tira os óculos dos homens, o amor, seja como for, é o amor. Meu bem, não chores, hoje tem filme de Carlito. O amor bate na porta o amor bate na aorta, fui abrir e me constipei. Cardíaco e melancólico, o amor ronca na horta entre pés de laranjeira entre uvas meio verdes e desejos já maduros. Entre uvas meio verdes, meu amor, não te atormentes. Certos ácidos adoçam a boca murcha dos velhos e quando os dentes não mordem e quando os braços não prendem o amor faz uma cócega o amor desenha uma curva propõe uma geometria. Amor é bicho instruído. Olha: o amor pulou o muro o amor subiu na árvore em tempo de se estrepar. Pronto, o amor se estrepou. Daqui estou vendo o sangue que corre do corpo andrógino. Essa ferida, meu bem, às vezes não sara nunca às vezes sara amanhã. Daqui estou vendo o amor irritado, desapontado, mas também vejo outras coisas: vejo beijos que se beijam ouço mãos que se conversam e que viajam sem mapa. Vejo muitas outras coisas que não ouso compreender...

Por Carlos Drummond de Andrade

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho, Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida... Quem me dera ouvir de alguém a voz humana Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia; Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia! Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam. Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil? Ó príncipes, meus irmãos, Arre, estou farto de semideuses! Onde é que há gente no mundo? Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Por Álvaro de Campos

No pequeno museu sentimental No pequeno museu sentimental os fios de cabelo religados por laços mínimos de fita são tudo que dos montes hoje resta, visitados por mim, montes de Vênus. Apalpo, acaricio a flora negra, a negra continua, nesse branco total do tempo extinto em que eu, pastor felante, apascentava caracóis perfumados, anéis negros, cobrinhas passionais, junto do espelho que com elas rimava, num clarão. Os movimentos vivos no pretérito enroscam-se nos fios que me falam de perdidos arquejos renascentes em beijos que da boca deslizavam para o abismo de flores e resinas. Vou beijando a memória desses beijos.

Por Carlos Drummond de Andrade

Grandes são os desertos Grandes são os desertos, e tudo é deserto. Não são algumas toneladas de pedras ou tijolos ao alto Que disfarçam o solo, o tal solo que é tudo. Grandes são os desertos e as almas desertas e grandes Desertas porque não passa por elas senão elas mesmas, Grandes porque de ali se vê tudo, e tudo morreu. Grandes são os desertos, minha alma! Grandes são os desertos. Não tirei bilhete para a vida, Errei a porta do sentimento, Não houve vontade ou ocasião que eu não perdesse. Hoje não me resta, em vésperas de viagem, Com a mala aberta esperando a arrumação adiada, Sentado na cadeira em companhia com as camisas que não cabem, Hoje não me resta (à parte o incômodo de estar assim sentado) Senão saber isto: Grandes são os desertos, e tudo é deserto. Grande é a vida, e não vale a pena haver vida, Arrumo melhor a mala com os olhos de pensar em arrumar Que com arrumação das mãos factícias (e creio que digo bem) Acendo o cigarro para adiar a viagem, Para adiar todas as viagens. Para adiar o universo inteiro. Volta amanhã, realidade! Basta por hoje, gentes! Adia-te, presente absoluto! Mais vale não ser que ser assim. Comprem chocolates à criança a quem sucedi por erro, E tirem a tabuleta porque amanhã é infinito. Mas tenho que arrumar mala, Tenho por força que arrumar a mala, A mala. Não posso levar as camisas na hipótese e a mala na razão. Sim, toda a vida tenho tido que arrumar a mala. Mas também, toda a vida, tenho ficado sentado sobre o canto das camisas empilhadas, A ruminar, como um boi que não chegou a Ápis, destino. Tenho que arrumar a mala de ser. Tenho que existir a arrumar malas. A cinza do cigarro cai sobre a camisa de cima do monte. Olho para o lado, verifico que estou a dormir. Sei só que tenho que arrumar a mala, E que os desertos são grandes e tudo é deserto, E qualquer parábola a respeito disto, mas dessa é que já me esqueci. Ergo-me de repente todos os Césares. Vou definitivamente arrumar a mala. Arre, hei de arrumá-la e fechá-la; Hei de vê-la levar de aqui, Hei de existir independentemente dela. Grandes são os desertos e tudo é deserto, Salvo erro, naturalmente. Pobre da alma humana com oásis só no deserto ao lado! Mais vale arrumar a mala. Fim.

Por Álvaro de Campos

Estou cansado, é claro, Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado. De que estou cansado não sei. De nada me serviria sabê-lo Pois o cansaço ficaria na mesma, A ferida dói como dói E não em função da causa que a produziu. Sim, estou cansado, E um pouco sorridente De o cansaço ser só isto – Uma vontade de sono no corpo, Um desejo de não pensar na alma, E por cima de tudo uma tranquilidade lúcida Do entendimento retrospectivo...

Por Álvaro de Campos

É sempre no passado aquele orgasmo, é sempre no presente aquele duplo, é sempre no futuro aquele pânico. É sempre no meu peito aquela garra. É sempre no meu tédio aquele aceno. É sempre no meu sono aquela guerra. É sempre no meu trato o amplo distrato. Sempre na minha firma a antiga fúria. Sempre no mesmo engano outro retrato. É sempre nos meus pulos o limite. É sempre nos meus lábios a estampilha. É sempre no meu não aquele trauma. Sempre no meu amor a noite rompe. Sempre dentro de mim meu inimigo. E sempre no meu sempre a mesma ausência.

Por Carlos Drummond de Andrade