I pesa o decreto atroz, o fim certeiro. pesa a sentença igual do juiz iníquo. pesa como bigorna em minhas costas: um homem foi hoje absolvido. se a justiça é cega, só o xampu é neutro: quão pouca diferença na inocência do homem e das hienas. deixem-me em paz! antes encham-me de vinho a taça, qu'inda que bem ruim me deixe ébria, console-me a alcóolica amnésia e olvide o que de fato é tal sentença: a mulher é a culpada. II peso do fiel juiz igual sentença em cada pobre homem, que não há motivo para tanto. não fiz mal nenhum à mulher e foi grande meu espanto quando ela se ofendeu. exagerada, agora reclama, fez denúncia e drama, mas na hora nem se mexeu. culpa é dela: encheu à brava a garbosa cara. se a justiça é cega, só a topeira é sábia. celebro abonançado o evidente indulto pois sou apenas homem, não um monstro! leixai à mulher o trauma.