Aos vícios Há bons, por não poder ser insolentes, Outros há comedidos de medrosos, Não mordem outros não, por não ter dentes. Quantos há que os telhados têm vidrosos, E deixam de atirar sua pedrada, De sua mesma telha receosos? Uma só natureza nos foi dada; Não criou Deus os naturais diversos; Um só Adão criou, e esse de nada. Todos somos ruins, todos perversos, Só nos distingue o vício e a virtude, De que uns são comensais outros adversos. Quem maior a tiver, do que eu ter pude, Esse só me censure, esse me note, calem-se os mais, chiton, e haja saúde. (Trecho do poema Aos Vícios)