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Cantando a vida, como o cisne a morte.

Por Bocage

A frouxidão no amor é uma ofensa, Ofensa que se eleva a grau supremo; Paixão requer paixão, fervor e extremo; Com extremo e fervor se recompensa. Vê qual sou, vê qual és, vê que diferença! Eu descoro, eu praguejo, eu ardo, eu gemo; Eu choro, eu desespero, eu clamo, eu tremo; Em sombras a razão se me condensa. Tu só tens gratidão, só tens brandura, E antes que um coração pouco amoroso Quisera ver-te uma alma ingrata e dura. Talvez me enfadaria aspecto iroso, Mas de teu peito a lânguida ternura Tem-me cativo e não me faz ditoso.

Por Bocage

Morrer é pouco, é fácil; mas ter vida Delirando de amor, sem fruto ardendo, É padecer mil mortes, mil infernos.

Por Bocage

Nascemos para amar; a Humanidade Vai, tarde ou cedo, aos laços da ternura. Tu és doce atractivo, oh fermosura, Que encanta, que seduz, que persuade. Quantas vezes, Amor, me tens ferido! Quantas vezes, Razão, me tens curado! Quão fácil é de um estado a outro estado! O mortal sem querer é conduzido! Nos torpes laços de beleza impura Jazem meu coração, meu pensamento... Bocage

Por Bocage

Vai sempre avante a paixão, Buscando seu doce fim; Os amantes são assim: Todos fogem à razão.

Por Bocage

Amores vêm e vão, mas o verdadeiro amor nunca sai do coração.

Por Bocage

Apenas vi do dia a luz brilhante Apenas vi do dia a luz brilhante Lá de Túbal no empório celebrado, Em sanguíneo carácter foi marcado Pelos Destinos meu primeiro instante. Aos dois lustros a morte devorante Me roubou, terna mãe, teu doce agrado; Segui Marte depois, e enfim meu fado, Dos irmãos e do pai me pôs distante. Vagando a curva terra, o mar profundo, Longe da Pátria, longe da ventura, Minhas faces com lágrimas inundo. E enquanto insana multidão procura Essas quimeras, esses bens do mundo, Suspiro pela paz da sepultura.

Por Bocage

A frouxidão no amor é uma ofensa, Ofensa que se eleva a grau supremo; Paixão requer paixão, fervor e extremo.

Por Bocage

Meu Ser Evaporei na Lida Insana Meu ser evaporei na lida insana Do tropel de paixões, que me arrastava. Ah! Cego eu cria, ah! mísero eu sonhava Em mim quase imortal a essência humana. De que inúmeros sóis a mente ufana Existência falaz me não dourava! Mas eis sucumbe a Natureza escrava Ao mal, que a vida em sua origem dana. Prazeres, sócios meus e meus tiranos! Esta alma, que sedenta em si não coube, No abismo vos sumiu dos desenganos. Deus, oh Deus!… Quando a morte a luz me roube, Ganhe num momento o que perderam anos, Saiba morrer o que viver não soube.

Por Bocage

"Já Bocage não sou!" Já Bocage não sou!... À cova escura Meu estro vai parar desfeito em vento... Eu aos Céus ultrajei! O meu tormento Leve me torne sempre a terra dura. Conheço agora já quão vã figura Em prosa e verso fez meu louco intento. Musa!... Tivera algum merecimento, Se um raio da razão seguisse, pura! Eu me arrependo; a língua quase fria Brade em alto pregão à mocidade, Que atrás do som fantástico corria: "Outro Aretino fui... A santidade Manchei...Oh!, se me creste, gente impia, Rasga meus versos, crê na Eternidade!"

Por Bocage