Um nenúfar flutua na mesma água que a Lua.
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Podes invocar Safo, Cavafy ou S. João da Cruz todos os poetas celestiais que ninguém te virá acudir Comprometidos definitivamente os teus planos de eternidade
As árvores como os livros têm folhas e margens lisas ou recortadas, e capas (isto é copas) e capítulos de flores e letras de oiro nas lombadas. E são histórias de reis, histórias de fadas, as mais fantásticas aventuras, que se podem ler nas suas páginas, no pecíolo, no limbo, nas nervuras. As florestas são imensas bibliotecas, e até há florestas especializadas, com faias, bétulas e um letreiro a dizer: «Floresta das zonas temperadas». É evidente que não podes plantar no teu quarto, plátanos ou azinheiras. Para começar a construir uma biblioteca, basta um vaso de sardinheiras.
Quando me levantei já as minhas sandálias andavam a passear lá fora na relva Esta noite até os atacadores dos sapatos floriram
e distraído, às vezes, confessava amar a tua pele como quem quer dizer-te: não morras nunca mais.
Ao Espelho E de repente chegas aos quarenta e tal anos e palavras como colesterol hipertensão astigmatismo começam a invadir a tua vida... Olhas para trás e o que vês? Uma pomba com uma das asas ferida condenada ao mais terrí- vel pedestrianismo
Mãe Não consigo adormecer Já experimentei tudo. Até contar carneirinhos Não consigo adormecer Nem chorar (Que maior tragédia poderá acontecer a um homem do que a de já não ser capaz de chorar?)