Todo mundo dizia que ele nunca foi com outra, o que era com ela. E ele dizia a mesma coisa. E tantas outras bonitezas de se ouvir. Demonstrações públicas de um afeto que transbordava. Eram tão diferentes, e se completavam mesmo assim. Tipo encaixe perfeito. De bocas, de quadris e de vontades. Ela bossa nova, ele rock and roll. Ela Florbela Espanca, ele Friedrich Nietzsche. Ela intensidade, ele equilíbrio. Ela poeta, ele inspiração. O tempo que cura, também afasta. As diferenças que completam, também minam um relacionamento. A poesia virou rotina, as palavras bonitas faltaram, o que era doce, realmente acabou. Ele ausência. Ela silêncio. Os dois, saudade.