Mais frases de Alexandre O'Neill!

Se ao dizer adeus à vida as aves todas do céu, me dessem na despedida o teu olhar derradeiro, esse olhar que era só teu, amor que foste o primeiro.

Por Alexandre O'Neill

Há palavras que nos beijam

Por Alexandre O'Neill

A meu favor Tenho o verde secreto dos teus olhos Algumas palavras de ódio algumas palavras de amor O tapete que vai partir para o infinito Esta noite ou uma noite qualquer A meu favor As paredes que insultam devagar Certo refúgio acima do murmúrio Que da vida corrente teime em vir O barco escondido pela folhagem O jardim onde a aventura recomeça.

Por Alexandre O'Neill

Nesta curva tão terna e lancinante que vai ser que já é o teu desaparecimento digo-te adeus e como um adolescente tropeço de ternura por ti.

Por Alexandre O'Neill

Há a mulher que me ama e eu não amo. Há as mulheres que me acamam e eu acamo. Há a mulher que eu amo e não me ama nem acama.

Por Alexandre O'Neill

Com a tristeza acender a alegria Com a miséria atear a felicidade E no céu inocente da visão Fazer pulsar um pássaro por vir Fazer voar um novo coração

Por Alexandre O'Neill

OS AMANTES DE NOVEMBRO Ruas e ruas dos amantes Sem um quarto para o amor Amantes são sempre extravagantes E ao frio também faz calor Pobres amantes escorraçados Dum tempo sem amor nenhum Coitados tão engalfinhados Que sendo dois parecem um De pé imóveis transportados Como uma estátua erguida num Jardim votado ao abandono De amor juncado e de outono.

Por Alexandre O'Neill

Minuciosa formiga não tem que se lhe diga: leva a sua palhinha asinha, asinha. Assim devera eu ser e não esta cigarra que se põe a cantar e me deita a perder. Assim devera eu ser: de patinhas no chão, formiguinha ao trabalho e ao tostão. Assim devera eu ser se não fora não querer.

Por Alexandre O'Neill

Amigo é uma grande tarefa, Um trabalho sem fim, Um espaço útil, um tempo fértil, Amigo é uma grande festa!

Por Alexandre O'Neill

É simples a separação. Adeus. Desenlaçado o último abraço, uma pressa de dar contas um ao outro. Já não há gestos. O derradeiro (impossível) seria não desfazer o abraço. Pressa de cada um retomar o outro na teia lenta da remembrança. Não desfazer o abraço. Ficar face encostada ao niagara dos cabelos. Sobram fotografias, voz no gravador, um bilhete na caixa do correio. Sobra o telefone. Tensão - telefone. Experimentada. Sofrida. Tensão - telefone. Possibilidade de voz não póstuma. No gravador, voz de ontem, de anteontem. De há anos. Sobra o telefone. Mudo. Retininte? Sobrarão as cartas. Sobra a espera. Na teia lenta da remembrança, retomo-te em memória recente: na praia de ternura onde nos enrolámos e desenrolámos desesperados de separação. Sobra a separação.

Por Alexandre O'Neill