Ver outros textos deste Autor...
Aquela gravidade calma não era nem um pouco o estilo dele, que sempre fora ao mesmo tempo carente e austero; ansioso para ter amigos, mas incapaz de encarar a amizade como natural.
Uma pura sorte, virmos ao mundo com as partes devidamente formadas e no lugar certo, nascermos de pais carinhosos, e não cruéis, ou, por acidente geográfico ou social, escaparmos à guerra ou à miséria. E, por conseguinte, acharmos facílimo ser virtuosos.
A infinita variedade da condição humana impede qualquer definição arbitrária.
Uma história era uma forma de telepatia. Por meio de símbolos traçados com tinta numa página, ela conseguia transmitir pensamentos e sentimentos da sua mente para a mente de seu leitor. Era um processo mágico, tão corriqueiro que ninguém parava para pensar e se admirar. Ler uma frase e entendê-la era a mesma coisa; era como dobrar o dedo, não havia intermediação. Não havia um hiato durante o qual os símbolos eram decifrados. A gente via a palavra castelo e pronto, lá estava ele.
É assim que todo o curso de uma vida pode ser mudado: não fazendo nada.
Religiões e sistemas morais, inclusive os dela, eram como picos numa majestosa cordilheira vista muito ao longe, nenhum deles claramente mais alto, mais importante, mais verdadeiro que os outros.
O mundo, o mundo social, era insuportavelmente complicado, dois bilhões de vozes, os pensamentos de todo mundo a se debater, todos com igual importância, investindo tanto na vida quanto os outros, cada um se achando o único, quando ninguém era único. Era possível afogar-se naquele mar de irrelevância.
A única solução concebível seria o passado não ter acontecido.
A guerra, como observamos, é inimiga da atividade criativa.
Uma pessoa é, entre outras coisas, uma coisa material, que é facilmente quebrada e não é facilmente reparada.