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Quem ama o feio é porque o bonito não aparece.

Por Barão de Itararé

o lutador, na velhice, conta à sua mulher o combate que não devia ter perdido

Por Yosa Buson

Habacuque, HC, 2:10, Os seus planos resultarão em vergonha para a sua casa. Ao destruir muitos povos, você pecou contra a sua própria vida.

Por Habacuque, Antigo Testamento

O único problema que Deus não pode resolver é aquele que você tenta esconder.

Por Bono Vox

Os Três Mal-Amados O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome. O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos. O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina. O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos. Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina. O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água. O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome. O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel. O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso. O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala. O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.

Por João Cabral de Melo Neto

⁠Vinho que não é meu... Das tramas urdidas do destino... De asas que em certas horas palpitam... Da teia que me encontro e não sinto... Bebendo em honra aos inimigos... Desta audácia, que dentre vós, me permito... Dos homens com fronteiras limitadas... Que não saem do sepulcro ao mundo dos vivos... Vinho que não é meu... Gosto amargo que sorvo com carinho... Súbito... Certamente pensariam: Ali vai um esquisito... Correram as cortinas e construíram... Um palco em desalinho... Para fazer do bobo da corte... Somente de zombarias o motivo... Porém contudo há de ser... Verão a mim sorrindo... Quem fui não me lembro... Quem serei não me interessa... Tudo é orgulho e inconstância... Que se inspira em mim a crença... De que tantos vieram e se foram... Quantos ainda verei mais? No silêncio da noite... No fragor do vento... O vinho amargo que me ofereces... Só me fortaleces... Bebo a ti e a todos... Sem pudor... Sem querências... Terás, enquanto a mim... Uma alma a todo gosto... Farei das cinzas frias... O meu jardim... Mais lindo... Sandro Paschoal Nogueira

Por Sandro Paschoal Nogueira

Eclesiastes, EC, 10:1, Assim como a mosca morta faz o óleo do perfumador exalar mau cheiro, assim também uma pequena tolice pode ter mais peso do que a sabedoria e a honra.

Por Eclesiastes, Antigo Testamento

A religião não é somente um sistema de idéias, ela é antes de tudo um sistema de forças.

Por Émile Durkheim

Esdras, ED, 8:12, Dos filhos de Azgade, Joanã, o filho de Hacatã, e, com ele, cento e dez homens.

Por Esdras, Antigo Testamento

Êxodo, EX, 5:7, - Daqui em diante não forneçam mais palha ao povo, para fazer tijolos, como antes; que eles mesmos ajuntem para si a palha.

Por Êxodo, Antigo Testamento