Poder na Palavra

Jorge Humberto

OLHANDO AS ÁGUAS Olhando as águas que passam, Levando segredos na bruma, Perguntei ao Tejo e à escuna, Se esses olhos que meus olhos enlaçam, Olhando as águas que passam, São sós desejos do meu coração, Ou se porventura tudo isto é solidão, Enquanto as águas se calam... E passam. Não me diz a escuna porque assim sofro, Nem me diz a gaivota por quem morro, Eu sou como às ondas no entardecer, Cavalos de espuma e de cambraia, Buscando a certeza do fim da praia E assim está certo, e assim tem de ser.

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