Mais frases de J. G. de Araújo Jorge!

A BICICLETA Me lembro, me lembro foi depois do jantar, meu avô me chamou, tinha um riso na cara, um riso de festa: - Guilherme, vou tapar seus olhos, venha cá. Os tios, os primos, os irmãos, na grande mesa redonda ficaram rindo baixinho, estou ouvindo, estou ouvindo: - Abre os olhos, Guilherme! Estava na sala de jantar, junto da porta do corredor, como uma santa irradiando, num altar, como uma coroa na cabeça de um rei, a bicicleta novinha, com lanterna, campainha, lustroso selim de couro, tudo. Me lembrei hoje da minha bicicleta quando chegou a minha geladeira. Mas faltou qualquer coisa à minha alegria, talvez a mesa redonda, os tios, os primos rindo baixinho, – abre os olhos, Guilherme! Oh! Faltou qualquer coisa à minha alegria!

Por J. G. de Araújo Jorge

Ser mãe... Quando todos te condenem quando ninguém te escutar, ela te escuta e perdoa, pois ser mãe é perdoar! Quando todos te abandonam e ninguém te queira ver, ela te segue e procura pois ser mãe é compreender! Quando todos te negarem um pão, um beijo, um olhar, ela te ampara e acarinha pois ser mãe sempre é se dar!

Por J. G. de Araújo Jorge

Talvez seja o tempo...a vida...a idade... mas a gente vai aprendendo a renunciar a tanto que se quis... A verdade é que me acomodei de tal modo na minha infelicidade, que quase que sou feliz...

Por J. G. de Araújo Jorge

Agora já frio o coração (mas a alma, entretanto, ainda ferida) resta-me a amarga e silenciosa convicção, de só tão tarde ter percebido que nem sequer existi em tua vida.

Por J. G. de Araújo Jorge

Terias razão ,afinal pra não acreditar na grandeza do meu amor, se eu fosse capaz de traduzi-lo em palavras.

Por J. G. de Araújo Jorge

Parece coisa de louco Como explicar na verdade Que o amor, que durou tão pouco Me doa uma eternidade

Por J. G. de Araújo Jorge

Meu Coração Eu tenho um coração um século atrasado ainda vive a sonhar... ainda sonha, a sofrer... acredita que o mundo é um castelo encantado e, criança, vive a rir, batendo de prazer... Eu tenho um coração - um mísero coitado que um dia há de por fim, o mundo compreender... - é um poeta, um sonhador, um pobre esperançado que habita no meu peito e enche de sons meu ser... Quando tudo é matéria e é sombra - ele é uma luz ainda crê na ilusão, no amor, na fantasia sabe todos de cor os versos que compus... Deus pôs-me um coração com certeza enganado: - e é por isso talvez, que ainda faço poesia lembrando um sonhador do século passado

Por J. G. de Araújo Jorge

Essa... Essa, que hoje se entrega aos meus braços escrava olhos tontos do amor de que aos poucos me farto, ontem... era a mulher ideal que eu procurava que enchia a minha insônia a rondar o meu quarto... Essa, que ao meu olhar parado e indiferente há pouco se despiu - divinamente nua -, já me ouviu murmurar em êxtase, fremente: - Sou teu! ... E já me disse, a delirar: - Sou tua ! Essa, que encheu meus sonhos, meus receios vãos, num tempo em que eram vãos meus sonhos, meus receios, já transbordou de vida a ânsia das minhas mãos com a beleza estonteante e morna dos seus seios ! Essa, que se vestiu... que saiu dos meus braços e se foi... - para vir, quem sabe? uma outra vez. - segui-a... e eu era a sombra dos seus próprios passos.. - amei-a... e eu era um louco quando a amei talvez... Hoje, seu corpo é um livro aberto aos meus sentidos já não guarda as surpresas de antes para mim... (Não importa se há livros muita vez relidos importa... é que afinal, todos eles têm fim... Essa, a quem julguei Ter tanta afeição sincera e hoje não enche mais a minha solidão, simboliza a mulher que sempre a gente espera... mas que chega, e se vai... como todas vão... (Do livro - Amo – 1939)

Por J. G. de Araújo Jorge

Antes eu conseguia juntar os pedaços e voltar a ser eu. Impossivel agora. Como conseguir reconstruir-me se me falta você??

Por J. G. de Araújo Jorge

Sim, tive amantes e amadas, fui escravo, fui senhor. Mas só agora que te encontro tenho amante e amada num mesmo amor.

Por J. G. de Araújo Jorge