Ver outros textos deste Autor...
Masculino significava forte. Masculino significava hétero. Se pudéssemos aprender a essência do que significava ser masculino, poderíamos aprender o resto.
Cortar minhas raízes e as pessoas que eu amava me transformariam em uma concha da pessoa que eu fui uma vez, um autômato despojado de todas as suas engrenagens.
Talvez este fosse o custo do ingresso no reino dos céus: remova de si todas as idiossincrasias, as opiniões fortes, os credos – não ponha nenhum deus falso à frente Dele –, torne-se uma concha facilmente moldável, um receptáculo para Deus.
Se não dissesse muita coisa, se as pessoas não me notassem, então talvez escapasse do olho onisciente de Deus.
Quaisquer costumes e hábitos que nos tornassem mais do que meras ferramentas eram considerados vícios, aspectos desenvolvidos a partir de mensagens danosas passadas a nós na infância.
Como é não ter que pensar em todos os seus movimentos, não ser examinado por tudo o que você fez, não ter que mentir todos os dias?
Todos havíamos recebido ultimatos que não existiam para outras pessoas, tinham nos imposto condições quase sempre distantes do amor entre pai e filhos. Em algum momento, todos nós tínhamos ouvido um “mude isso ou então...”. Ou então ficaríamos sem casa, sem dinheiro, seríamos excomungados, exilados.