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FESTA Eu desdobrei minha orfandade sobre a mesa, como um mapa. Desenhei o itinerário para meu lugar ao vento. Os que chegam não me encontram. Os que espero não existem. E bebi licores furiosos para transmutar os rostos em um anjo, em copos vazios.
Quando me olhas meus olhos são chaves, o muro tem segredos, meu temor palavras, poemas. Só tu fazes de minha memória uma viajante fascinada, um fogo incessante
só a sede o silêncio nenhum encontro cuidado comigo amor meu cuidado com a silenciosa no deserto com a viajante com o copo vazio e com a sombra de sua sombra
Se te atreveres a desvendar a verdade desta velha parede; suas fissuras, suas ranhuras, formando semblantes, esfinges, mãos, clepsidras, seguramente te haverá de surgir uma figura para acalmar a sede, provavelmente se haverá de ir esta ausência que te bebe.
Amanhã me vestirão com cinzas à alba, me encherão a boca de flores. Aprenderei a dormir na memória de um muro, na respiração de um animal que sonha.
Não sei sobre pássaros, não conheço a história do fogo. Mas creio que minha solidão deveria ter asas.