Mais frases de Bruna Mitrano!

ela pediu pra eu não enlouquecer parei de tomar os remédios pra tentar ser gente mas uma chuva forte caiu era janeiro e me escorreguei perdi o senso disseram é temporário os tremores noturnos a matriz de uma ânsia descabida os rostos na janela todas as noites os rostos que catequizam as janelas nas casas sem muro não há o que se ver que não sobrecarregue a carne o corpo ainda sente curva-se ao inevitável tomba no meio da rua e conclui não se dá as costas pra morte há sempre um diagnóstico preto no branco vou morrer de tempo ou vou fazer o quê? re:___________________.

Por Bruna Mitrano

toda noite vem o homem vestido de branco e digo a ele é impossível domar a água I just sit on the ground in your way o homem vestido de branco anota a minha doença num papel.

Por Bruna Mitrano

gelo na língua: a cara lisa, lagrimando brasa, em riso esquizo cacarejento estala, essa dor do cão!

Por Bruna Mitrano

a impertinência da cura. arrancaram meus caninos, tenho as gengivas suturadas à mostra. de medo: tormenta [mãos de pólvora afagando o fogo]

Por Bruna Mitrano

na estrada de terra da cidade vazia a criança preta empunha um pedaço de pau. ela está nua e vê-se um corpo tão prematuro quanto ruínas. a boca intumescida da criança preta gutura morte ao rei! e na aridez inalcançável dos pés descalços resiste a criança tão criança e velha, sozinha e livre – o sino da igreja abandonada toca todo dia na hora errada.

Por Bruna Mitrano