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Sonhei, confuso, e o sono foi disperso, Mas, quando despertei da confusão, Vi que esta vida aqui e este universo Não são mais claros do que os sonhos são Obscura luz paira onde estou converso A esta realidade da ilusão Se fecho os olhos, sou de novo imerso Naquelas sombras que há na escuridão. Escuro, escuro, tudo, em sonho ou vida, É a mesma mistura de entre-seres Ou na noite, ou ao dia transferida. Nada é real, nada em seus vãos moveres Pertence a uma forma definida, Rastro visto de coisa só ouvida.
Por Fernando PessoaHINO À SOLIDÃO Diz-se que a solidão torna a vida um deserto; Mas quem sabe viver com a sua alma, nunca Se encontra só; a Alma é um mundo, um mundo aberto Cujo átrio, a nossos pés, de pétalas se junca. Mundo vasto que mil existências povoam: Imagens, concepções, formas do sentimento,Sonhos puros que nele embeleza, revoam E ficam a brilhar, sol do seu firmamento. Dia a dia, hora a hora, o Pensamento lavra Esse fecundo chão onde se esconde e medra A semente que vai germinar na Palavra, Cantar no Som, florir na Côr, sorrir na Pedra! Basta que certa luz de seus raios aqueça A semente que jaz na sua leiva escondida, Para que ela, a sorrir, desabroche e floresça, De perfumes enchendo as estradas da Vida. Sei que embora essa luz nem para todos tenha O mesmo brilho, o mesmo impulso criador, Da Glória, sempre vã, todo o asceta desdenha, Vivendo como um Deus no seu mundo interior. E que mundo sublime, esse em que ele se agita! Mundo que de si mesmo e em si mesmo criou, E em cuja criação o seu sangue palpita, Que não ha Deus estranho aos orbes que formou. Nem lutas, nem paixões: ideais serenidades Em que o Tempo se esvai sob o encanto da Hora... O passado e o porvir são ânsias e saudades: Só no instante que passa a plenitude mora. Sombra crepuscular, que a Noite não atinge , Nem a Aurora desfaz: rosiclér e luar, Meia tinta em que a Alma abre os lábios de Esfinge, E o seu mistério ensina a quem sabe escutar. Mas então, inundando essa penumbra doce, De não sei que sublime esplendor sideral, Como se a emanação d'um ser divino fosse, Deixa no nosso olhar um reflexo imortal. Na vertigem que a vida exalta e desvaria, Pára alguém para ouvir um coração que bate? No seio mais formoso, o olhar que se extasia Vê o mundo que nele em ânsias se debate? É só na solidão que a alma se revela, Como uma flor nocturna as pétalas abrindo, A uma luz, que é talvez o clarão d'uma estrela, Talvez o olhar de Deus, d'astro em astro caindo... E d'essa luz, a flor sem forma, ha pouco obscura, Recebe o seu quinhão de graça e de pureza, Como das mãos do artista, animando a escultura, O mármore recebe a sua alma--a Belleza. Se sofrer é pensar, na paz do isolamento, Como num cálice cheio o liquido extravasa, A Dor, que a Alma empolgou, trasborda em pensamento, E a pouco e pouco extingue o fogo em que se abrasa. Como a montanha de ouro, a Alma, em seu mistério, Á superfície nunca o seu teor revela; Só depois de sondado e fundido o minério Se conhece a riqueza acumulada nela. Corações que a Existência em tumulto arrebata! Esse ouro só se extraem do minério candente, No silencio, na paz, na quietação abstracta, Das estrelas do Céu sob o olhar indulgente...
Por Antônio FeijóSalmos, SL, 109:11, Que um credor se aposse de tudo o que ele tem; que estranhos saqueiem o fruto do seu trabalho.
Por Salmos, Antigo TestamentoOs dias voltam para rever nossos erros, mas quando seu dia não for o mesmo, saberá que está seguindo em frente.
Por Wesley D'AmicoUm livro é como uma janela. Quem não o lê, é como alguém que ficou distante da janela e só pode ver uma pequena parte da paisagem.
Por Khalil GibranO que menos importa a uma mulher é que o seu vestido agrade aos homens; ela veste-o para outras mulheres, e a inveja destas é a aprovação que mais lhe agrada.
Por Jacinto Benavente y MartinezAcho que este é um momento maravilhoso para as mulheres. Acho que a maré está mudando, e há tantas mulheres corajosas, autênticas, fortes, engraçadas, vulneráveis e empolgantes em todos os setores hoje em dia.
Por Emma StoneQuero dizer que te amo só de amor. Sem idéias, palavras, pensamentos. Quero fazer que te amo só de amor. Com sentimentos, sentidos, emoções. Quero curtir que te amo só de amor. Olho no olho, cara a cara, corpo a corpo. Quero querer que te amo só de amor. São sombras as palavras no papel. Claro-escuros projetados pelo amor, dos delírios e dos mistérios do prazer. Apenas sombras as palavras no papel. Ser-não-ser refratados pelo amor no sexo e nos sonhos dos amantes. Fátuas sombras as palavras no papel. Meu amor te escrevo feito um poema de carne, sangue, nervos e sêmen. São versos que pulsam, gemem e fecundam. Meu poema se encanta feito o amor dos bichos livres às urgências dos cios e que jogam, brincam, cantam e dançam fazendo o amor como faço o poema. Quero da vida as claras superfícies onde terminam e começam meus amores. Eu te sinto na pele, não no coração. Quero do amor as tenras superfícies onde a vida é lírica porque telúrica, onde sou épico porque ébrio e lúbrico. Quero genitais todas as nossas superfícies. Não há limites para o prazer, meu grande amor, mas virá sempre antes, não depois da excitação. Meu grande amor, o infinito é um recomeço. Não há limites para se viver um grande amor. Mas só te amo porque me dás o gozo e não gozo mais porque eu te amo. Não há limites para o fim de um grande amor. Nossa nudez, juntos, não se completa nunca, mesmo quando se tornam quentes e congestionadas, úmidas e latejantes todas as nossas mucosas. A nudez a dois não acontece nunca, porque nos vestimos um com o corpo do outro, para inventar deuses na solidão do nós. Por isso, a nudez, no amor, não satisfaz nunca. Porque eu te amo, tu não precisas de mim. Porque tu me amas, eu não preciso de ti. No amor, jamais nos deixamos completar. Somos, um para o outro, deliciosamente desnecessários. O amor é tanto, não quanto. Amar é enquanto, portanto. Ponto.
Por Roberto Freire