Mais frases de Flora Figueiredo!

Tempo destinado a esfregar e descorar nódoas do passado.

Por Flora Figueiredo

Borbulhante Guardei meu poema dentro de uma bolha de sabão. Como não ficar seduzida Pela circunferência lisa e transparente, Onde o arco-íris passeia docemente, E morre de amores pela espuma colorida? Acomodada na nova moradia, O poema suspirou e adormeceu. Quando acordou já não mais me pertencia. A bolha de sabão se deslocara E o poema apaixonado que eu criara Descobriu de repente que era teu.

Por Flora Figueiredo

“Se tiver que ir, vai. O que fica para trás, não sendo mentira, não racha, não rompe, não cai.Ninguém tira. Já que vai, segue se depurando pelo trajeto, para desembarcar passado a limpo, sem máscara, sem nada, sem nenhum desafeto. Quando chegar, sobe ao ponto mais alto do lugar, onde a encosta do mundo faz a curva mais pendente. E então acena. De onde estiver, quero enxergar esse momento em que você vai constatar que a vida vale grandemente a pena.”

Por Flora Figueiredo

Não deixe portas entreabertas. Escancare-as ou as bata de uma vez. Porque por meias entradas entram meias felicidades.

Por Flora Figueiredo

Melódico Canto aos quatro cantos, aos quatro ventos. Denudo as pautas do tempo em claves, bemóis e sustenidos. Hei de fazer chegar aos seus ouvidos uma rima de amor em tom maior. Quando o mundo cantá-la já de cor, eu trago flauta que põe ternura nessa nota que ainda falta pra perpetuar o nosso amor na partitura.

Por Flora Figueiredo

Não deixe portas entreabertas Escancare-as Ou bata-as de vez. Pelos vãos, brechas e fendas Passam apenas semiventos, Meias verdades E muita insensatez.

Por Flora Figueiredo

Quanto desafeto! A palvra se deprava frente ao alfabeto.

Por Flora Figueiredo

Agarre o desaponto pelo avesso, apare as pontas,corte o excesso. Mude a covardia de endereço, ponha a escavadeira em retrocesso até que o mundo,esse réu confesso, lhe devolva seu mel e seu apreço.

Por Flora Figueiredo

Festa chega ao fim. Beijos sobram na bandeja. Todos de amendoim!...

Por Flora Figueiredo

Vento novo Estava enrolada em teias e traças, debaixo da escada, lá no subsolo da casa fechada. Começava a tomar ares de desgraça. Manchada do tempo, fenecia a esperar que um dia alguma coisa acontecesse. Antes que se perdesse completamente, sentiu passar um vento cor-de-rosa. Toda prosa, espanou a bruma, pintou os lábios e sem vergonha nenhuma caprichou no recorte do decote. A felicidade volta à praça cheia de dengo e de graça, com perfume novo no cangote.

Por Flora Figueiredo