Mais frases de Gregório Duvivier!

⁠Não trocaria meus fracassos pelo sucesso de ninguém.

Por Gregório Duvivier

Soneto prático quando não há mais qualquer coisa após o que vivemos juntos, a não ser o fim, com a tragédia de sabê-lo fim, e a certeza da dor, atroz, quando você e eu formamos nós e nossos nós não podem desatar-se, antes que os nós acabem por cegar-se e de berrar percamos nossa voz, por mais que doa e que nos caia o céu sobre os olhos abertos, e os meus rasguem-se de dor e feito papel chovam corpos picados sobre os seus, por amor mesmo, e para ser fiel, é preciso saber dizer adeus.

Por Gregório Duvivier

Duas pessoas falando coisas opostas podem estar igualmente certas - e frequentemente estão.

Por Gregório Duvivier

De todas as favelas do Rio, nenhuma tem uma porcentagem tão grande de criminosos quanto o Congresso.

Por Gregório Duvivier

⁠Tudo o que presta num ser humano não cabe no Instagram.

Por Gregório Duvivier

Desculpe o transtorno, preciso falar da Clarice Conheci ela no jazz. Essa frase pode parecer romântica se você imaginar alguém tocando Cole Porter num subsolo esfumaçado de Nova York. Mas o jazz em questão era aquela aula de dança que todas as garotas faziam nos anos 1990 –onde ouvia-se tudo menos jazz. Ela fazia jazz. Minha irmã fazia jazz. Eu não fazia jazz mas ia buscar minha irmã no jazz. Ela estava lá. Dançando. Nunca vou me esquecer: a música era "You Oughta Know", da Alanis. Quando as meninas se jogavam no chão, ela ficava no alto. Quando iam pra ponta dos pés, ela caía de joelhos. Quando se atiravam pro lado, trombavam com ela que se lançava pro lado oposto. Os olhos, sempre imensos e verdes, deixavam claro que ela não fazia ideia do que estava fazendo. Foi paixão à primeira vista. Só pra mim, acho. Passamos algumas madrugadas conversando no ICQ ao som de Blink 182 e Goo Goo Dolls. De lá, migramos pro MSN. Do MSN pro Orkut, do Orkut pro inbox, do inbox pro SMS. Começamos a namorar quando ela tinha 20 e eu 23, mas parecia que a vida começava ali. Vimos todas as séries. Algumas várias vezes. Fizemos todas as receitas existentes de risoto. Queimamos algumas panelas de comida porque a conversa tava boa. Escolhemos móveis sem pesquisar se eles passavam pela porta. Escrevemos juntos séries, peças de teatro, filmes. Fizemos uma dúzia de amigos novos e junto com eles o Porta dos Fundos. Fizemos mais de 50 curtas só nós dois —acabei de contar. Sofremos com os haters, rimos com os shippers. Viajamos o mundo dividindo o fone de ouvido. Das dez músicas que mais gosto, sete foi ela que me mostrou. As outras três foi ela que compôs. Aprendi o que era feminismo e também o que era cisgênero, gas lighting, heteronormatividade, mansplaining e outras palavras que o Word tá sublinhando de vermelho porque o Word não teve a sorte de ser casado com ela. Um dia, terminamos. E não foi fácil. Choramos mais que no final de "How I Met Your Mother". Mais que no começo de "Up". Até hoje, não tem um lugar que eu vá em que alguém não diga, em algum momento: cadê ela? Parece que, pra sempre, ela vai fazer falta. Se ao menos a gente tivesse tido um filho, eu penso. Levaria pra sempre ela comigo. Essa semana, pela primeira vez, vi o filme que a gente fez juntos —não por acaso uma história de amor. Achei que fosse chorar tudo de novo. E o que me deu foi uma felicidade muito profunda de ter vivido um grande amor na vida. E de ter esse amor documentado num filme —e em tantos vídeos, músicas e crônicas. Não falta nada.

Por Gregório Duvivier

Receita para um dálmata (ou Soneto branco com bolinhas pretas) Pegue um papel, ou uma parede, ou algo que seja quase branco e bem vazio. Amasse-o até que tome forma de um animal: focinho, corpo, patas. Em cada pata ponha muitas unhas e em sua boca muitos dentes. (Caso queira, pinte o focinho de qualquer cor que pareça rosa). Atrás, na bunda, ponha um fiapo nervoso: será seu rabo. Pronto. Ou quase: deixe-o lá fora e espere chover nanquim. Agora dê grama ao bicho. Se ele rejeitar, é dálmata. Se comer (e mugir), é uma vaca que tens. Tente outra vez. (A Partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora, 7Letras, 2008

Por Gregório Duvivier

Erguer antes de tudo uma parede – a parede no caso é importantíssima, pois as janelas só existem sobre paredes, as janelas sobre nada são também nada e não são sequer vistas. Em seguida quebrá-la até fazer nela um grande buraco, não maior que a parede, pois precisamos vê-la, nem menor que seus braços – as janelas sobre as quais não se pode debruçar não são janelas, são buracos. Pronto. Ou quase: agora basta construir um mundo do outro lado da parede, para que possas vê-lo, emoldurado

Por Gregório Duvivier

Um presidente ouvido pela polícia no Brasil não dura uma semana.

Por Gregório Duvivier

Os invasores durante o mês de outubro sobre tudo nos bairros sem praia é preciso que ás seis da tarde precisamente tranquem-se as portas fechem-se as janelas apaguem-se as luzes durante quinze minutos de silêncio e escuridão para que os invasores achem que não há mais ninguém ali pois se por acaso houver alguma luz esquecida em algum canto qual quer meus amigos é bom saber pre parem-se pois eles vão achá-la e a través de alguma brecha eles hão de se esgueirar em bando à procura de alguma lâmpada incandescente que lhes sirva de deus sob o qual voarão histéricos para celebrar a luz.

Por Gregório Duvivier