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Nenhum de nós passeia impune pelos retratos: fazem-nos doer os recessos da memória. Deles saltam, por vezes, sustos, primeiras noites, secreta loucura, lábios que foram. Interditam-nos sempre. Trepam-nos pelo torpor mais desprevenido, subsistem. A sua perenidade é volátil e cheia de venenosos ardis. Um sopro no acetato. Distintos, os seus contornos não são nunca os que supomos.
Gosto da claridade penumbrosa de adolescentes indecisos. Gosto deles assim lentos inaptos, vorazes, sedentos do labor meticuloso e da antiquíssima sabedoria de outras mãos. Anjos devastados, senhores do caos é para longe que partem.
A tua ausência a encher-se de dunas. Aquele bater de vidraças na orla da praia. O silêncio a insistir a recusar-se ao rumor. E a vida a fluir, lá fora.
A noite toda a selva dissolvendo-se em sândalo e esquecimento. Casas, degraus a prumo, águas despedaçadas. Equilíbrio precário num fio de luz.
Toda a noite a luz multiplicou o instantâneo de um rosto intraduzível. Esquiva, a tua morte não escapou à ladainha de regra. Correu uma versão torpe quando te viram a sorrir uma ironia de druida clandestino, indiferente à voragem dos bárbaros.