Mais frases de Ana Elisa Ribeiro!

luz vamos agora que esta luz está boa este dia de nuvens melhor que o sol estourado este dia azul mais que amarelo vamos que é agora esta foto para a posteridade mais que nós mesmos podemos saber se nem estivermos mais juntos nela, estaremos nenhuma fotografia se mede em segundos

Por Ana Elisa Ribeiro

Eu não tenho a alma de um corrimão. Eu sou mais do elo, da liga e do laço. Respeito para mim é coisa fina, assim como o abraço.

Por Ana Elisa Ribeiro

jaz teremos sempre — de novo — avós bisavós tios mãe e pai enquanto cultivarmos nossos álbuns de fotografias

Por Ana Elisa Ribeiro

EU NÃO TENHO A ALMA DE UM CORRIMÃO Eu sou mais elo, de liga e do laço. Respeito para mim é coisa fina, assim como o abraço. Mais do que as transas e os beijos, as mãos dadas me parecem mais sinceras. Tão ruins quanto as promessas são as esperas.

Por Ana Elisa Ribeiro

O perdão está dado; O traidor está curado; O amor sentou-se de pernas abertas diante de mim. Vem cá, morena. Ele é brega. Vá, são todos iguais, mas uns são mais. Lamento, mas, se virar poema, já é vantagem. Melhor que virar pura bobagem.

Por Ana Elisa Ribeiro

Peças de madeira em pau-marfim A linha dos olhos faz flechas da cor de futuros As mãos formam conchas de pegar contentamentos Os pés são grandes como as telas holandesas realistas O corpo inteiro é um tabuleiro de jogar jogos de azar As costas quadriculadas As coxas quadriculadas A boca quadriculada Onde eu me finjo de dama

Por Ana Elisa Ribeiro

Se eu chego antes, te pego com respeitos demais; Se eu chego atrasada, te pego casado e pai; Então eu chego agora, pra ver se é boa hora.

Por Ana Elisa Ribeiro

a matemática das ruas e suas esquinas perpendiculares e calçadas paralelas com imperfeições imperceptíveis e quadras em retângulos que terminam em praças circulares por onde passam carros a sessenta por hora e pessoas atarefadas e onde se sentam pessoas que jogam o tempo e os silêncios aos pombos indiferentes

Por Ana Elisa Ribeiro

INSTANTÂNEO #5 Só mesmo uma foto para nos flagrar no auge de um quase

Por Ana Elisa Ribeiro

Trágica meu galego não conhecia minha ira era dono do meu corpo meu espírito de porco sabia minha ginga minha pletora, minha míngua conhecia cada fresta cada trinca, cada aresta cada vinco, furo, fissura, mau humor, amargura mas da minha ira condenada ira ira da maldita ira de mulher fêmea exata ana saliente uterina, enfezada ele não sabia nada (meu galego dorme esta noite num cemitério improvisado)

Por Ana Elisa Ribeiro