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Meu corpo é o templo sagrado, intocável Eu sou a fé, fera, bela, espiritual E o discurso político já não me atinge mais Sorrio dentes cortantes E grito o mais alto que posso Eu sou o traço que emerge e torna possível sonhar Eu sou o ar
A gente dorme cercado de certezas Sonha e enfeita com flores da estação Inventa até mil vidas passadas E um futuro adorado pra nossa paixão Mas então a gente desperta Sem saber ao certo a direção
Para, tá na cara que não tem mais eu e você E fica com esse cara que tem cara De quem quer maltratar você Melhor se afastar de mim Acho que vai ser melhor assim Eu quero mais é te esquecer
Se não for por baixo, eu vou por cima Se não for nessa rua, eu entro na outra Se não for de carro, eu vou à pé Se não for ao sol, eu vou à chuva Se não for de fraque, eu vou pelado Se não for desse amor, eu vou com o meu amor Se não for, eu vou assim mesmo
O que era céu aberto virou nossa prisão Não precisamos de uma multidão enfurecida Nós mesmos nos ferimos com a nossa indecisão
Em plena madrugada E eu te procurei e nada Te procurei e nada Eu tropecei descalça Eu tropecei descalça Eu tropecei descalça Eu tropecei descalça Nos cacos perdidos Das tuas palavras Não me deparei com nada Não me deparei com nada Que valesse à pena ser lido Relido Remoído Revivido Ou até mesmo dito Em som audível Para os seus distintos ouvidos