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O sábio fecha a boca e os olhos, anula os sentidos e se torna impenetrável ao mundo exterior, abrindo-lhe apenas o coração
Por Lao TzuA capacidade de esquecer é o que existe de mais precioso sobre a face da terra, sob as nossas faces. Amar é indubitavelmente mais magnânimo, mas não é tão essencial quanto o esquecimento: é ele que nos mantém vivos. O amor torna a paisagem mais bonita, mas é o bálsamo curativo do esquecimento que nos faz ter vontade de abrir os olhos para vê-la. A paixão empresta um sentido quase mítico aos dias, mas é esquecer da excruciante tristeza perante a morte dela que nos torna aptos para nos encantarmos novamente dali a pouco. Já esqueci amores inesquecíveis e sobrevivi a paixões que, tinha convicção, me aniquilariam se terminassem. Às vezes cruzo na rua com fantasmas que já foram muito vivos na minha história e não deixo de sentir uma certa melancolia por perceber que aquele rosto um dia pleno de significado se tornou tão relevante quanto um outdoor de pasta de dente. Algumas pessoas são apagadas da memória como filmes desimportantes. Sem maldade o intenção; apenas esmaecem até desaparecer. Mas é mesmo impossível nos lembrar de todos os que passaram por nós: gente demais, espaço de menos. Da mesma forma que minha história está repleta de coadjuvantes e figurantes que, irrefletidamente, se auto-proclamavam protagonistas, eu devo ser a personagem cômica da história de alguém. Ninguém se esquiva da experiência constrangedora de bancar o bobo da corte no reino de outro. Mas esse oco de significado não vem sem um certo pesar. É ruim notar que já não dizemos praticamente nada para quem importou tanto. Na verdade é dolorido ser olvidado: não é fácil encarar que não somos insubstituíveis e que nossa saída displicente abre uma possibilidade de entrada tão desejada por outros. Mas só nos desenroscamos e seguimos nosso rumo natural, em frente, quando eliminamos alguns seres que, caso contrário, nos prenderiam aos emaranhantes aguapés de recordações. "Há pessoas que ficam doendo com a lembrança de outra pessoa, entra ano, sai ano, virando e revirando o caleidoscópio, olhando como caem e de dispõe as cores e os cristais do sofrimento" (Paulo Mendes Campos). O passado deve ser mantido no lugar dele e não trazido nas costas feito mochila de viajante, lotado com os erros cometidos e alegrias jamais revividas. Para ser feliz é necessário pouca coisa além se livrar do excesso de carga e esquecer as coisas certas. É útil também jamais perder de vista um detalhe, afixá-lo no espelho do banheiro, repetir como um mantra: absolutamente nada é pra sempre, nem sentimentos que parecem ser. Nunca mais haverá amor como aquele? Ótimo, porque o novo é tão imenso que seria um desperdício se algo se repetisse. Todo mundo passa. E é bom que seja assim.
Por Ailin AleixoLucas, LC, 1:63, Então, pedindo uma tabuinha, ele escreveu: - O nome dele é João. E todos se admiraram.
Por Lucas, Novo TestamentoNossa ideia de produtividade tem como premissa a necessidade de produzir algo novo, ao passo que não tendemos a ver a manutenção e o cuidado como produtivos da mesma forma.
Por Jenny OdellLevítico, LV, 3:5, E os filhos de Arão queimarão tudo isso sobre o altar, em cima do holocausto, que estará sobre a lenha no fogo; é oferta queimada, de aroma agradável ao Senhor.
Por Levítico, Antigo TestamentoA felicidade é como a gota De orvalho numa pétala de flor Brilha tranquila, depois de leve, oscila E cai como uma lágrima de amor A minha felicidade está sonhando Nos olhos da minha namorada É como esta noite passando, passando Em busca da madrugada, falem baixo, por favor Pra que ela acorde alegre como o dia Oferecendo beijos de amor Tristeza não tem fim Felicidade, sim
Por João GilbertoEu, sobre eu mesmo Como falar de si próprio? Sério, como falar de si próprio? Eu sempre fui muito sonhador Criativo e inspirador Já quebrei a cara várias vezes E me decepcionei com coisas de mais Quando paro pra pensar sobre tudo isso Sei que não posso voltar a atrás Levantar é necessário, e ir atrás do que faz bem é a única escolha Quando eu era pequeno, eu queria voar, Mas por escolha dos roteiristas Eu tropecei no infinito e comecei a me encontrar Me encontrei em música Me encontrei em na arte Me encontrei em escutar E me encontrei em atuar A magia do cinema me encantou Eu já chorei e sorri Me encantei e me espandi Fui convidado pelo destino a subir aos palcos Com guitarra nas mãos Ou com um personagem na alma O teatro me adotou E fora do tablado eu não sei quem sou Quando as cortinas se abrem E não exergam mais eu ali É o único momento em que eu existo de verdade Sei que ainda tenho muito a dizer Mesmo não sabendo como Na arte é onde me expresso É onde me entrego E onde eu morro Quando tudo isso acabar, sei que terá sido um grande espetáculo.
Por Emanuel SedanoOra, quando cada EU é seu próprio pai e criador, por que ele não pode ser também seu próprio anjo exterminador?
Por Jean Paul