Um homem no chão da minha sala alonga sua raiz galo que estufa o pescoço cana-de-açúcar e bronze poças, chuva, telha-vã rio que escorre na velha taça empoeirada O homem no chão da minha sala cidades de ouro castelos de mel velhas metáforas sinos línguas gelatina O céu no chão da minha sala Esse homem no chão da minha sala provoca o veneno da cobra pulgas atrás das orelhas mexeu nos meus bibelôs consertou aquela estante revirou a roupa suja desenterrou flores secas fraldas chifres quatro cascas de ferida um disco todo arranhado e um punhado de pelos Aquele homem no chão daquela sala me fez cruzar o ribeirão dos mudos estufa de tinhorões gigantes no piso do meu mármore ele acordou a doida as quatro damas do baralho uma ninfeta de barro e a cadela do vizinho Daquele homem no chão da minha sala há meses não tenho notícia desde que virei a cara saltei janela fugi sem freio ladeira abaixo perdi o bonde estraguei tudo