falta-me o tempo para procurar o tempo perdido
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Há séculos que te esperava para fugirmos.
Um Nome -Vou guardar as tuas mãos na paixão que tenho por ti, mas não te posso revelar o meu nome, nem precisas de o saber. Chama-me o que quiseres, dá-me um nome para que possamos amarmo-nos. Aquele que tinha perdi-o no caminho até aqui. Pertencia a outra paixão, e já a esqueci. Dá-me tu um nome para eu poder ficar contigo...
ensanguentou-se a fonte dos sonhos por isso fecha os olhos e vê como o desejo acabou- vê a prata suja envolvendo os amantes no meio de sedas cintilantes espelhos e fogos onde o sussurro das horas se perde
e atravessei cidades e ruas sem nome, estradas, pontes que ligam uma treva a outra treva. e vi a vida como um barco à deriva - vi esse barco tentar regressar ao porto - mas os portos são olhos enormes que vigiam os oceanos - servem para levar-nos o corpo até um deles e morrer. o verdadeiro fugitivo não regressa, não sabe regressar. reduz os continentes a distâncias mentais.
Conheço o silêncio colorido das alucinações da madrugada e um dia quis descansar, procurei o que era real à minha volta e arrependi-me. Era tudo muito aborrecido e sombrio.
A vida, como sabes, tem o tempo da areia que se escapa por entre os dedos. Areia rápida e branca. Esvoaçante.
Que o dia te seja limpo e a cada esquina de luz possas recolher alimento suficiente para a tua morte vai até onde ninguém te possa falar ou reconhecer
Olhas-te no espelho atribuís-te um nome um corpo um gesto dormes
Apaga as estrelas, vem dormir comigo no esplendor da noite do mundo que nos foge.
não esqueças o navio carregado de lumes de desejos em poeira (...) - os sessenta comprimidos letais ao pequeno-almoço