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Das Biografias (1) em negro teceram-me a pele. enormes correntes amarram-me ao tronco de uma Nova África. carrego comigo a sombra de longos muros tentando impedir que meus pés cheguem ao final dos caminhos. mas o meu sangue está cada vez mais forte, tão forte quanto as imensas pedras que os meus avós carregaram para edificar os palácios dos reis.
Preconceito – Muitas vezes a cor da pele é uma grande parede. Daí o abraço frouxo, o beijo mal dado e o sorriso amarelo.
Negro Forro minha carta de alforria não me deu fazendas, nem dinheiro no banco, nem bigodes retorcidos. minha carta de alforria costurou meus passos aos corredores da noite de minha pele.
Faça sol ou faça tempestade faça sol ou faça tempestade, meu corpo é fechado por esta pele negra. faça sol ou faça tempestade meu corpo é cercado por estes muros altos, – currais onde ainda se coagula o sangue dos escravos. faça sol ou faça tempestade, meu corpo é fechado por esta pele negra.
Agora É hora de amolar a foice e cortar o pescoço do cão. – Não deixar que ele rosne nos quintais da África. É hora de sair do gueto/eito senzala e vir para a sala – nosso lugar é junto ao Sol.